14/9/00 — 4:20
Por estes Sinais Jesus insiste no Seu pedido para que escreva, que o Espírito me assistirá. Mas eu aqui declaro que não tenho nada dentro de mim para exprimir, a não ser isto mesmo: a sensação de que todas as fontes estão esgotadas.
É este um típico processo de actuação do Demónio. O objectivo dele é cortar toda a ligação com Deus: se nos conseguir convencer de que Deus se esgotou, que já disse tudo o que tinha a dizer, terá feito avançar o seu reino de trevas sobre mais uma Alma: A partir daqui, tudo se lhe torna fácil: divide-nos de nós mesmos, bloqueando dentro de nós toda a nossa intimidade e manipulando-nos depois com toda a sorte de estímulos do seu reino, uma vez que estamos privados do nosso comando interior. Esta é a verdadeira despersonalização. A Cidade é toda feita por autómatos: o seu fruto só pode ser a desertificação. Repare-se: os nossos ídolos passam a ser as obras das nossas mãos! Mesmo quando os ídolos são pessoas: também as pessoas, na Civilização, são produtos; elas foram modeladas - nós dizemos educadas! - segundo objectivos e planos elaborados por nós, estes também já, naturalmente, ditados pelo Ídolo Global, todo levantado por nós e que passou a ditar-nos, tiranicamente, as suas leis. Somos assim inteiramente comandados a partir de fora, por um Ídolo de facto impressionante pelo seu gigantismo e por ter sido feito por nós, mas mudo e de pés de barro. E é por Isto que somos comandados. Não somos as mais tristes e as mais dignas de pena entre todas as criaturas?
É preciso, portanto, nunca desistir de esperar à porta da nossa Alma. É de lá que temos que receber todas as ordens, através do nosso coração, esta Palpitação Primordial que no início despertou a vida no nosso ser ainda em formação e que, a partir daí, sempre nos revelou únicos, fazendo desabrochar, no tempo oportuno, o nosso carisma específico, misteriosamente encerrado na nossa Alma.
Isto é, importa orar sempre, sem nunca desfalecer, porque estamos perante o nosso próprio Mistério que, como todos os Mistérios, é inesgotável: ele é uma Semente de Deus!
Mas vede: que atenção lhe damos, ao nosso próprio Mistério? Não passamos todas as nossas horas numa louca correria, sempre condicionados e arrastados pelo fluxo mecânico de uma Ordem que nós próprios fomos levantando e que agora, gigantesca e cega, nos esmaga? Vede o que conseguiu o alto senhor e administrador deste Monstro: agora as nossas orações são sempre pela conservação e pelo êxito do nosso grotesco Ídolo. E Deus, na nossa Alma, espera, desde sempre. Não temos para Ele um minuto? Nem uma hora, com Ele, estaremos vigilantes?
São 6:49!
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
40 — Antes que as leis naturais nos destruam
12/6/08 — 11:15:17
Todo o comportamento do homem até hoje nos conduz à convicção de que ele não parará enquanto a Ruína que andou amontoando desde há tantos milhares de anos lhe não cair em cima, esmagando-o. É esta a natureza da Tragédia que os nossos sábios estão continuamente anunciando e de que já todos nós temos um estranho pressentimento. Consiste ela na rotura do equilíbrio que as próprias leis inexoráveis da Natureza, agredidas pelo homem, acabarão por provocar. Isto é, estas leis da Harmonia possuem, apesar de imutáveis, uma larga margem de flexibilidade e tolerância frente às agressões, tentando recompor sucessivamente o equilíbrio. O meu coração pede-me que chame antes, a esta tolerância, Paciência, palavra que vem de “patior”, verbo latino que significa sofrer. Gentes, vede: o Criador deu às próprias leis inflexíveis da Natureza a capacidade de perdoar, sofrendo a injustiça antes que a sua justiça entre em acção! Mas só até um limite a partir do qual elas não suportam mais a agressão, sob pena de se destruírem a si próprias como leis. Dirigem-se então directamente ao agressor, pulverizando-o! Elas não são dotadas do Livre Arbítrio; são automáticas!
Ah, se vísseis as minhas lágrimas, neste momento, lá, na sua origem, na Força que as faz jorrar! Deus fez tudo firme e definitivo e fez tudo por Amor. Nenhum Lúcifer, nenhum poder infernal poderá nunca nada contra a Harmonia que Deus sonhou. Porque Ele ultrapassará os Seus próprios Limites para manter intacto e ampliar o Seu Sonho. Por isso eu creio em que o Espírito descerá antes que as leis naturais nos destruam!
Todo o comportamento do homem até hoje nos conduz à convicção de que ele não parará enquanto a Ruína que andou amontoando desde há tantos milhares de anos lhe não cair em cima, esmagando-o. É esta a natureza da Tragédia que os nossos sábios estão continuamente anunciando e de que já todos nós temos um estranho pressentimento. Consiste ela na rotura do equilíbrio que as próprias leis inexoráveis da Natureza, agredidas pelo homem, acabarão por provocar. Isto é, estas leis da Harmonia possuem, apesar de imutáveis, uma larga margem de flexibilidade e tolerância frente às agressões, tentando recompor sucessivamente o equilíbrio. O meu coração pede-me que chame antes, a esta tolerância, Paciência, palavra que vem de “patior”, verbo latino que significa sofrer. Gentes, vede: o Criador deu às próprias leis inflexíveis da Natureza a capacidade de perdoar, sofrendo a injustiça antes que a sua justiça entre em acção! Mas só até um limite a partir do qual elas não suportam mais a agressão, sob pena de se destruírem a si próprias como leis. Dirigem-se então directamente ao agressor, pulverizando-o! Elas não são dotadas do Livre Arbítrio; são automáticas!
Ah, se vísseis as minhas lágrimas, neste momento, lá, na sua origem, na Força que as faz jorrar! Deus fez tudo firme e definitivo e fez tudo por Amor. Nenhum Lúcifer, nenhum poder infernal poderá nunca nada contra a Harmonia que Deus sonhou. Porque Ele ultrapassará os Seus próprios Limites para manter intacto e ampliar o Seu Sonho. Por isso eu creio em que o Espírito descerá antes que as leis naturais nos destruam!
segunda-feira, 29 de março de 2010
39 — Eu creio em mim
16/8/00 — 4:13 — Rossão
Não há nenhum homem como eu, nenhum Profeta como eu, nenhum Filho de Deus como eu! Ninguém é como eu. Ninguém está como eu. Sou verdadeiramente único em todo o Universo. Por isso a minha Alma tem que ser uma surpresa contínua para os meus semelhantes. Por isso a minha Alma tem que ser inesgotável. Por isso eu creio em mim. Por isso eu espero tudo de mim. Por isso eu posso amar com um amor puro e absoluto, sem mistura, sem mancha de maldade.
Foi isto que Jesus fez de mim: segregou-me da Uniformidade, trouxe-me para esta Solidão e mostrou-me a mim próprio. Começou por me apontar o meu edifício antigo e com isso me fez nascer no peito um veemente desejo de me desfazer todo. Lembro-me muito bem: eu só queria ser nada. Tudo o que eu era tinha sido feito por mim e deveria simplesmente desaparecer, porque era uma construção ridícula, talhada segundo o modelo que me era posto diante dos olhos, alterada segundo a moda do momento. Eu era só como uma veste vestida num manequim de gesso. Por aquele caminho eu nunca mais me encontrava, nunca mais saberia quem sou.
Depois o Mestre pediu-me que O deixasse reconstruir-me, porque o nada a que de repente me vi reduzido era mesmo nada, não tinha nada mesmo, portanto não tinha também possibilidade nenhuma de se construir a si próprio. E eu deixei o Mestre fazer o que me pedia. Teve que usar de muita paciência, porque eu insistia em conservar trastes velhos, eu estava ainda agarrado a méritos que acumulara, eu não era capaz de me abandonar simplesmente nas Mãos do Artista a Quem, de coração alvoroçado, me tinha entregue.
Como de uma semente, vi-me então surgir eu, eu todo diferente daquilo que julgava ser. De carcaça vazia por dentro e sempre aos encontrões para arranjar espaço e poiso fora, tornei-me um Acontecimento permanente, aberto a um território sem barreiras, sem nenhum limite de tempo nem espaço. Soube então que era de Raça divina e que portanto possuía todos os Atributos de Deus. Sabia, da construção teológica que eu tinha assimilado, que sentir-se assim e proclamar-se assim era uma heresia monstra. Mas tudo, afinal, nesta caminhada em direcção ao meu Ser divino, eram heresias que eu ia derrubando e ultrapassando, uma a uma, de coração feliz. Até que perdi por completo a noção de heresia e diante de mim só ficou o Mistério e dentro de mim um coração inocente disposto a segui-lo, sem sequer saber de etapas nem metas, porque todo o Território diante dos meus olhos está aberto, sem que eu vislumbre qualquer limite.
Só conheço agora um limite, e pesado: é o da minha antiga carne, que Jesus me pediu que conservasse, para nela poder proclamar que a Salvação chegou!
São 6:15!
Não há nenhum homem como eu, nenhum Profeta como eu, nenhum Filho de Deus como eu! Ninguém é como eu. Ninguém está como eu. Sou verdadeiramente único em todo o Universo. Por isso a minha Alma tem que ser uma surpresa contínua para os meus semelhantes. Por isso a minha Alma tem que ser inesgotável. Por isso eu creio em mim. Por isso eu espero tudo de mim. Por isso eu posso amar com um amor puro e absoluto, sem mistura, sem mancha de maldade.
Foi isto que Jesus fez de mim: segregou-me da Uniformidade, trouxe-me para esta Solidão e mostrou-me a mim próprio. Começou por me apontar o meu edifício antigo e com isso me fez nascer no peito um veemente desejo de me desfazer todo. Lembro-me muito bem: eu só queria ser nada. Tudo o que eu era tinha sido feito por mim e deveria simplesmente desaparecer, porque era uma construção ridícula, talhada segundo o modelo que me era posto diante dos olhos, alterada segundo a moda do momento. Eu era só como uma veste vestida num manequim de gesso. Por aquele caminho eu nunca mais me encontrava, nunca mais saberia quem sou.
Depois o Mestre pediu-me que O deixasse reconstruir-me, porque o nada a que de repente me vi reduzido era mesmo nada, não tinha nada mesmo, portanto não tinha também possibilidade nenhuma de se construir a si próprio. E eu deixei o Mestre fazer o que me pedia. Teve que usar de muita paciência, porque eu insistia em conservar trastes velhos, eu estava ainda agarrado a méritos que acumulara, eu não era capaz de me abandonar simplesmente nas Mãos do Artista a Quem, de coração alvoroçado, me tinha entregue.
Como de uma semente, vi-me então surgir eu, eu todo diferente daquilo que julgava ser. De carcaça vazia por dentro e sempre aos encontrões para arranjar espaço e poiso fora, tornei-me um Acontecimento permanente, aberto a um território sem barreiras, sem nenhum limite de tempo nem espaço. Soube então que era de Raça divina e que portanto possuía todos os Atributos de Deus. Sabia, da construção teológica que eu tinha assimilado, que sentir-se assim e proclamar-se assim era uma heresia monstra. Mas tudo, afinal, nesta caminhada em direcção ao meu Ser divino, eram heresias que eu ia derrubando e ultrapassando, uma a uma, de coração feliz. Até que perdi por completo a noção de heresia e diante de mim só ficou o Mistério e dentro de mim um coração inocente disposto a segui-lo, sem sequer saber de etapas nem metas, porque todo o Território diante dos meus olhos está aberto, sem que eu vislumbre qualquer limite.
Só conheço agora um limite, e pesado: é o da minha antiga carne, que Jesus me pediu que conservasse, para nela poder proclamar que a Salvação chegou!
São 6:15!
38 — Fastidiosas repetições?
15/8/00 — 15:36:47
Aqui, à sombra destas árvores, onde já coisas tão grandes me foram reveladas, sou subitamente possuído de uma sensação estranha: ninguém vai conseguir ler tantas páginas, porque elas são preenchidas com meia dúzia de novidades, apenas; o resto são repetições fastidiosas, que levarão as pessoas a uma progressiva desmotivação. E esta sensação volta depois de eu ter afirmado várias vezes que não há aqui uma única repetição!
Que desolador é este estado de Alma! E logo hoje, no dia em que celebramos o triunfo pleno da nossa Mãe!
— Preciso que me ampares, Mestre. Mais uma vez dou as voltas todas que posso ao meu coração e não encontro lá nenhum indício de ter feito alguma coisa errada. Explica-me esta situação, Mestre!
— Há alguma possibilidade de o Mistério de Deus se ter esgotado?
— Não, nenhuma.
— Há alguma possibilidade de se ter esgotado o Mistério da tua Alma?
—Também não, não há a mínima possibilidade: ela é uma Semente de Deus!
— Em que circunstâncias é que te repetirias então?
— Passarei a repetir-me a partir do momento em que não seja Deus ou a minha Alma aquilo que eu revelo.
— E onde encontras Deus?
— Na minha Alma.
— E onde encontras a tua Alma?
— Dentro de mim, não sei onde.
— E como fazes para ouvir Deus na tua Alma?
— Procuro quanto posso desligar-me de todas as outras vozes e tudo aquilo que neste Silêncio por qualquer via vem ter comigo assumo-o como Voz de Deus e registo-o.
— Voz de Deus porquê?
— Porque Ele me ama muito.
— O Céu é amar. Achas que o Céu é feito de fastidiosas repetições?
Aqui, à sombra destas árvores, onde já coisas tão grandes me foram reveladas, sou subitamente possuído de uma sensação estranha: ninguém vai conseguir ler tantas páginas, porque elas são preenchidas com meia dúzia de novidades, apenas; o resto são repetições fastidiosas, que levarão as pessoas a uma progressiva desmotivação. E esta sensação volta depois de eu ter afirmado várias vezes que não há aqui uma única repetição!
Que desolador é este estado de Alma! E logo hoje, no dia em que celebramos o triunfo pleno da nossa Mãe!
— Preciso que me ampares, Mestre. Mais uma vez dou as voltas todas que posso ao meu coração e não encontro lá nenhum indício de ter feito alguma coisa errada. Explica-me esta situação, Mestre!
— Há alguma possibilidade de o Mistério de Deus se ter esgotado?
— Não, nenhuma.
— Há alguma possibilidade de se ter esgotado o Mistério da tua Alma?
—Também não, não há a mínima possibilidade: ela é uma Semente de Deus!
— Em que circunstâncias é que te repetirias então?
— Passarei a repetir-me a partir do momento em que não seja Deus ou a minha Alma aquilo que eu revelo.
— E onde encontras Deus?
— Na minha Alma.
— E onde encontras a tua Alma?
— Dentro de mim, não sei onde.
— E como fazes para ouvir Deus na tua Alma?
— Procuro quanto posso desligar-me de todas as outras vozes e tudo aquilo que neste Silêncio por qualquer via vem ter comigo assumo-o como Voz de Deus e registo-o.
— Voz de Deus porquê?
— Porque Ele me ama muito.
— O Céu é amar. Achas que o Céu é feito de fastidiosas repetições?
quinta-feira, 25 de março de 2010
37 — Os homens do Dogma
30/5/99 — 10:48:35
Através do Sacrifício de Jesus, incarnou o Espírito e o Pai. Cada Pessoa da Trindade incarnou por via diferente. Porque cada Pessoa da Trindade é distinta da Outra. Mas Deus não incarnou três vezes: incarnou uma só vez porque Deus é Um só e o Mesmo.
Não sei que palavras hei-de usar para me aproximar deste Mistério. Jesus quer, no entanto, que o exprima com a linguagem que tenho. E sempre, enquanto existir neste mundo uma célula corruptível num corpo humano, Deus utilizará a linguagem da carne. Porque Deus estará sempre onde nós nos encontramos.
Este foi o Milagre que Jesus fez perante os Olhos do Pai e do Espírito: Ele tornou sedutora para Deus a célula mais degradada da natureza humana. Agora Deus ama a nossa carne como Corpo Seu, esteja ela no estado em que estiver.
Não posso, portanto, exprimir o que vou vendo no Mistério dos Mistérios, a não ser através da linguagem rude da minha carne degradada. Por isso é de ter pena dos nossos homens da Lei quando eles se põem a definir conteúdos para as palavras, como se o mais pequeno Mistério de Deus presente na Criação fosse delimitável no seu conteúdo e, mais ainda, pudesse ser expresso em quaisquer palavras humanas.
Que nunca mais isto aconteça na Igreja! − quer Jesus que eu proclame com toda a clareza que as minhas palavras puderem. Aliás não haverá mais homens da Lei, porque deixará de haver Lei. Haverá, de agora em diante, só a Luz iluminando confidencialmente cada coração. Assim, o conhecimento que teremos dos Mistérios de Deus será o conhecimento que adquirem um do outro os corações enamorados. Não se aflijam, por isso, os zelosos guardiães da “pureza da Fé”: o Espírito fará, com leveza e alegria, o que vós continuamente desfazeis de semblantes pesados e tristes ao pretenderdes encaixotar e ordenar nos armazéns das vossas doutrinas a Vida que o Amor apaixonado de Deus fez florir até hoje nos corações que apesar da vossa sanha destruidora conseguiram seguir Jesus. Largai, por favor, os erros dos outros e debruçai-vos sobre os vossos, pedindo ao Senhor da Luz que vo-los ilumine para os verdes com os Seus Olhos. Vereis que nunca mais vos atrevereis a condenar ninguém. Aprendereis a esperar pelos frutos de todas as plantas que à vossa volta nascerem, as boas e as más, conforme o nosso Mestre nos ensinou. Quando for a hora da ceifa − uma hora que nunca sereis vós a determinar mas sempre o Pai − vereis o erro ser queimado sem saberdes como.
Através do Sacrifício de Jesus, incarnou o Espírito e o Pai. Cada Pessoa da Trindade incarnou por via diferente. Porque cada Pessoa da Trindade é distinta da Outra. Mas Deus não incarnou três vezes: incarnou uma só vez porque Deus é Um só e o Mesmo.
Não sei que palavras hei-de usar para me aproximar deste Mistério. Jesus quer, no entanto, que o exprima com a linguagem que tenho. E sempre, enquanto existir neste mundo uma célula corruptível num corpo humano, Deus utilizará a linguagem da carne. Porque Deus estará sempre onde nós nos encontramos.
Este foi o Milagre que Jesus fez perante os Olhos do Pai e do Espírito: Ele tornou sedutora para Deus a célula mais degradada da natureza humana. Agora Deus ama a nossa carne como Corpo Seu, esteja ela no estado em que estiver.
Não posso, portanto, exprimir o que vou vendo no Mistério dos Mistérios, a não ser através da linguagem rude da minha carne degradada. Por isso é de ter pena dos nossos homens da Lei quando eles se põem a definir conteúdos para as palavras, como se o mais pequeno Mistério de Deus presente na Criação fosse delimitável no seu conteúdo e, mais ainda, pudesse ser expresso em quaisquer palavras humanas.
Que nunca mais isto aconteça na Igreja! − quer Jesus que eu proclame com toda a clareza que as minhas palavras puderem. Aliás não haverá mais homens da Lei, porque deixará de haver Lei. Haverá, de agora em diante, só a Luz iluminando confidencialmente cada coração. Assim, o conhecimento que teremos dos Mistérios de Deus será o conhecimento que adquirem um do outro os corações enamorados. Não se aflijam, por isso, os zelosos guardiães da “pureza da Fé”: o Espírito fará, com leveza e alegria, o que vós continuamente desfazeis de semblantes pesados e tristes ao pretenderdes encaixotar e ordenar nos armazéns das vossas doutrinas a Vida que o Amor apaixonado de Deus fez florir até hoje nos corações que apesar da vossa sanha destruidora conseguiram seguir Jesus. Largai, por favor, os erros dos outros e debruçai-vos sobre os vossos, pedindo ao Senhor da Luz que vo-los ilumine para os verdes com os Seus Olhos. Vereis que nunca mais vos atrevereis a condenar ninguém. Aprendereis a esperar pelos frutos de todas as plantas que à vossa volta nascerem, as boas e as más, conforme o nosso Mestre nos ensinou. Quando for a hora da ceifa − uma hora que nunca sereis vós a determinar mas sempre o Pai − vereis o erro ser queimado sem saberdes como.
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