— 11:42:57
Qualquer intervenção de Deus neste mundo constitui necessariamente uma novidade, uma vez que ele está todo programado para evitar qualquer possível intervenção de Deus. E já que não pode evitar a Presença de Deus como Referência nuclear de todos os corações porque eles O trazem gravado a fogo desde que surgiram no tempo, este mundo tenta afastá-Lo quanto possível da azáfama diária em que se levanta a Construção da sua glória. E de facto já hoje Deus, se continua Referência ainda algo sensível nos corações, está relegado para uma esfera de intervenção distante das preocupações do dia-a-dia, onde as pessoas se refugiam em efémeros momentos que a edificação da Cidade lhes concede. Deus tornou-se assim um dos lugares de descanso entre outros vários que este mundo oferece e que, devidamente controlados segundo a sua conveniência, considera necessários à recuperação de energias para conservar e alargar a sua criação, já hoje incontestavelmente mais visível na terra do que a do antigo Criador.
A entrada de Deus nos diários movimentos de todas as vidas, nesse mesmo generalizado e esgotante movimento em que se não descansa, só pode ser, quando se manifestar, a Grande Notícia, a que nenhum meio de comunicação social poderá ficar alheio. A Profecia que gravo está sendo este Regresso silencioso de Deus, do lugar de descanso que a Cidade Lhe atribuiu, à lida diária da Construção rebelde. Falta só manifestar-se, o que, segundo o novo aviso desta noite, está tão perto, que é já uma Festa no Céu.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
50 — Deus aqui de novo
21/8/06 — 4:44
— Maria, repara no que estou sentindo perante aqueles Sinais.
— Sim. E acho muito bonito o que sentes. Mostra-o.
— Sinto que todo o Céu está possuído de uma enorme alegria pela minha missão de Profeta.
— E que tem a tua missão de Profeta que assim alegra tanto o Céu?
— O tríplice Sinal aproxima-o do Sinal de Deus Trino: eu sou Expressão de toda a Plenitude de Deus.
— Por serem muitas as palavras que já escreveste?
— Sim, mas sobretudo por serem novas.
— Novas? Mas são geralmente palavras vulgares, que todos usam no dia-a-dia.
— Por isso mesmo podem ser novas: Deus estava muito longe e muito alto e as palavras que uso trazem-No bem para junto de nós.
— A Novidade da tua Profecia está em encheres de Deus a vida vulgar de todas as pessoas?
— Julgo que sim, que é essa a maior riqueza desta Profecia: nela Deus volta a estar verdadeiramente incarnado.
— Aliás tu estás aproximando aquele Sinal de um outro…
— Sim, do sinal 5:55, aquele que justamente designa Deus incarnado.
— É por ser a Voz de Deus incarnado que esta Profecia é uma Voz nova?
— Sim: Deus ouvindo-se assim tão perto, tão no meio, tão dentro de nós, já há muito tempo que estava desaparecido deste mundo.
— E é por estar tão perto, tão dentro, que é tão diversa e imensa a Novidade?
— Assim estou agora vendo: Deus está sempre todo em tudo, excepto no coração do homem, porque este O rejeita; se puder de novo entrar no coração do homem, Deus entra todo e a Novidade não tem fim.
— Então espera: como pode esta Profecia alegrar tanto o Céu, se nem meia dúzia de pessoas dela tem conhecimento?
— É verdade que está ainda encerrada num espaço insignificante, na terra. Como o próprio Jesus esteve encerrado no espaço insignificante de uma família humilde de Nazaré, sem que da Sua natureza e da Sua missão talvez nem meia dúzia de pessoas tivessem conhecimento.
— Então a alegria do Céu deve-se ao facto de ele saber que muitos corações vão receber com sofreguidão estas palavras!?
— Sim, só pode ser porque o Céu sabe como a Voz de Deus é eficaz: se ela desceu, ela vai fatalmente ouvir-se.
— Então todo o Céu está suspenso de um momento que sabe estar bem próximo!?
— Sim!… Nunca senti tamanho jubilo no Céu!… Talvez o possa comparar àqueles momentos que precederam o Nascimento de Jesus, ou a Sua vida pública…
— Ah, Meu menino! A emoção com que relês estes textos será maior ainda, dentro em breve, na terra inteira!
São 6:03!
— Maria, repara no que estou sentindo perante aqueles Sinais.
— Sim. E acho muito bonito o que sentes. Mostra-o.
— Sinto que todo o Céu está possuído de uma enorme alegria pela minha missão de Profeta.
— E que tem a tua missão de Profeta que assim alegra tanto o Céu?
— O tríplice Sinal aproxima-o do Sinal de Deus Trino: eu sou Expressão de toda a Plenitude de Deus.
— Por serem muitas as palavras que já escreveste?
— Sim, mas sobretudo por serem novas.
— Novas? Mas são geralmente palavras vulgares, que todos usam no dia-a-dia.
— Por isso mesmo podem ser novas: Deus estava muito longe e muito alto e as palavras que uso trazem-No bem para junto de nós.
— A Novidade da tua Profecia está em encheres de Deus a vida vulgar de todas as pessoas?
— Julgo que sim, que é essa a maior riqueza desta Profecia: nela Deus volta a estar verdadeiramente incarnado.
— Aliás tu estás aproximando aquele Sinal de um outro…
— Sim, do sinal 5:55, aquele que justamente designa Deus incarnado.
— É por ser a Voz de Deus incarnado que esta Profecia é uma Voz nova?
— Sim: Deus ouvindo-se assim tão perto, tão no meio, tão dentro de nós, já há muito tempo que estava desaparecido deste mundo.
— E é por estar tão perto, tão dentro, que é tão diversa e imensa a Novidade?
— Assim estou agora vendo: Deus está sempre todo em tudo, excepto no coração do homem, porque este O rejeita; se puder de novo entrar no coração do homem, Deus entra todo e a Novidade não tem fim.
— Então espera: como pode esta Profecia alegrar tanto o Céu, se nem meia dúzia de pessoas dela tem conhecimento?
— É verdade que está ainda encerrada num espaço insignificante, na terra. Como o próprio Jesus esteve encerrado no espaço insignificante de uma família humilde de Nazaré, sem que da Sua natureza e da Sua missão talvez nem meia dúzia de pessoas tivessem conhecimento.
— Então a alegria do Céu deve-se ao facto de ele saber que muitos corações vão receber com sofreguidão estas palavras!?
— Sim, só pode ser porque o Céu sabe como a Voz de Deus é eficaz: se ela desceu, ela vai fatalmente ouvir-se.
— Então todo o Céu está suspenso de um momento que sabe estar bem próximo!?
— Sim!… Nunca senti tamanho jubilo no Céu!… Talvez o possa comparar àqueles momentos que precederam o Nascimento de Jesus, ou a Sua vida pública…
— Ah, Meu menino! A emoção com que relês estes textos será maior ainda, dentro em breve, na terra inteira!
São 6:03!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
49 — A Vencedora do Dragão
— 12:08:06
O Sinal do fim da vigília parece estar advertindo-me de que esquecera a Senhora: regressar ao Centro será obra do Espírito e de Maria! E a imagem-título deste texto confirma-o, ao mesmo tempo que mostra a acção do Espírito perturbada pelo Dragão.
É muito insistente em todos os Profetas a revelação de que pertence ao Espírito desencadear a Hora. Mas está igualmente escrito que a Mulher-vestida-de-sol terá nessa Hora uma importância decisiva: é contra Ela que o Dragão se enfurece por saber que é a Ela que está cometida a missão de lhe esmagar a cabeça, é a Ela que o Dragão persegue e por isso o Espírito terá que A ocultar no Deserto durante um tempo determinado, é Ela o “grande sinal” da participação do todo o Céu na Hora, através dos símbolos do sol, da lua e das estrelas, que são, respectivamente, a Sua veste, o escabelo dos Seus pés e a Sua coroa, é, enfim, a Ela e à Sua Descendência que está confiada a Batalha Universal que precederá o Regresso de Jesus e permitirá que Ele regresse como o efectivo e definitivo Príncipe da Paz depois que o Dragão tiver esmagada a cabeça e estiver imobilizado no Abismo profundo por um longo, muito longo tempo. A importância de Maria é tal, no desencadear da Hora, que bem se poderá dizer que Ela será a especialíssima revelação de Deus neste Acontecimento nuclear da nossa História, como a Nova Eva, como a Mãe da Nova Humanidade, como Rainha, como Enamorada.
O Sinal do fim da vigília parece estar advertindo-me de que esquecera a Senhora: regressar ao Centro será obra do Espírito e de Maria! E a imagem-título deste texto confirma-o, ao mesmo tempo que mostra a acção do Espírito perturbada pelo Dragão.
É muito insistente em todos os Profetas a revelação de que pertence ao Espírito desencadear a Hora. Mas está igualmente escrito que a Mulher-vestida-de-sol terá nessa Hora uma importância decisiva: é contra Ela que o Dragão se enfurece por saber que é a Ela que está cometida a missão de lhe esmagar a cabeça, é a Ela que o Dragão persegue e por isso o Espírito terá que A ocultar no Deserto durante um tempo determinado, é Ela o “grande sinal” da participação do todo o Céu na Hora, através dos símbolos do sol, da lua e das estrelas, que são, respectivamente, a Sua veste, o escabelo dos Seus pés e a Sua coroa, é, enfim, a Ela e à Sua Descendência que está confiada a Batalha Universal que precederá o Regresso de Jesus e permitirá que Ele regresse como o efectivo e definitivo Príncipe da Paz depois que o Dragão tiver esmagada a cabeça e estiver imobilizado no Abismo profundo por um longo, muito longo tempo. A importância de Maria é tal, no desencadear da Hora, que bem se poderá dizer que Ela será a especialíssima revelação de Deus neste Acontecimento nuclear da nossa História, como a Nova Eva, como a Mãe da Nova Humanidade, como Rainha, como Enamorada.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
48 — Bah! Mais um visionário!
15/6/08 — 4:47
— Ah, Maria, quando, quando descerá sobre nós a Paz?
— Porquê essa espécie de suspiro agora? Conta-nos a tua visão.
— É a visão de um mundo atolado em problemas sem solução.
— Desde sempre que assim é, não?
— É verdade: sempre o mundo amontoou problemas, sem que até hoje tenha encontrado uma verdadeira solução. O que vemos é o contrário: quanto mais evolui, mais problemas arranja.
— E então? Conta-nos o outro lado da tua visão! Tu já encontraste a saída?
— Já.
— Isso dito assim, com essa certeza, é de provocar um enorme alvoroço no mundo inteiro, não?
— Não. Se eu me acercasse de um microfone e de uma câmara de televisão transmitindo para todo o mundo e aí proclamasse esta minha certeza, ninguém me levaria a sério. Todos diriam: Bah! Mais um visionário! E todos retirariam a atenção do televisor, desiludidos mais uma vez.
— Mas não certamente antes de o entrevistador te perguntar onde estará, então, a saída!?
— Claro. Mas seria justamente a minha resposta que desiludiria toda a gente.
— E qual seria a tua resposta?
— Talvez esta, muito precisa: Jesus. Ou então outra, igualmente verdadeira, mas mais vaga: A saída está dentro de nós. Fosse qual fosse a resposta, as pessoas haveriam de voltar à sua vida, às soluções do costume.
— E quais são as soluções do costume?
— Mais iniciativas, mais obras, mais voluntariado, mais entrega…”pelos outros”. E estes seriam só uma parte dos desiludidos; todos os outros voltariam à sua vida, a safar-se conforme pudessem.
— Mas aqueles, os da entrega “aos outros”, seriam a parte ainda sã da Humanidade, não?
— Não posso julgar individualmente ninguém. Mas a entrega aos outros não revela, por si só, maior pureza de coração do que a simples gestão corrente da vida: o exercício da chamada “caridade” tornou-se hoje já uma das grandes glórias de Satanás.
— Como?
— Ele tornou-se o grande promotor da ajuda aos outros: ele descobriu nesta tão meritória actividade caritativa a melhor forma de afastar as pessoas da verdadeira Saída para a sua Libertação.
— A ajuda aos outros deixou então de ser, neste mundo, um bem e passou a ser um mal encapotado!?
— Sim. Trata-se de uma cilada extremamente eficaz, porque a capa da bondade é perfeita e torna-se assim particularmente difícil desmascará-la.
— Explica então melhor porque se trata de uma cilada.
— Porque por esta via afasta as pessoas de si mesmas, do seu próprio Centro onde, exclusivamente, está a porta de saída para a crescente Angústia que invade o mundo.
— E como se farão as pessoas regressar ao Centro?
— Ninguém o poderá fazer, mesmo que esta Verdade seja difundida por toda a terra! Só o Espírito o fará, na Hora oportuna.
São 7:18!?
— Ah, Maria, quando, quando descerá sobre nós a Paz?
— Porquê essa espécie de suspiro agora? Conta-nos a tua visão.
— É a visão de um mundo atolado em problemas sem solução.
— Desde sempre que assim é, não?
— É verdade: sempre o mundo amontoou problemas, sem que até hoje tenha encontrado uma verdadeira solução. O que vemos é o contrário: quanto mais evolui, mais problemas arranja.
— E então? Conta-nos o outro lado da tua visão! Tu já encontraste a saída?
— Já.
— Isso dito assim, com essa certeza, é de provocar um enorme alvoroço no mundo inteiro, não?
— Não. Se eu me acercasse de um microfone e de uma câmara de televisão transmitindo para todo o mundo e aí proclamasse esta minha certeza, ninguém me levaria a sério. Todos diriam: Bah! Mais um visionário! E todos retirariam a atenção do televisor, desiludidos mais uma vez.
— Mas não certamente antes de o entrevistador te perguntar onde estará, então, a saída!?
— Claro. Mas seria justamente a minha resposta que desiludiria toda a gente.
— E qual seria a tua resposta?
— Talvez esta, muito precisa: Jesus. Ou então outra, igualmente verdadeira, mas mais vaga: A saída está dentro de nós. Fosse qual fosse a resposta, as pessoas haveriam de voltar à sua vida, às soluções do costume.
— E quais são as soluções do costume?
— Mais iniciativas, mais obras, mais voluntariado, mais entrega…”pelos outros”. E estes seriam só uma parte dos desiludidos; todos os outros voltariam à sua vida, a safar-se conforme pudessem.
— Mas aqueles, os da entrega “aos outros”, seriam a parte ainda sã da Humanidade, não?
— Não posso julgar individualmente ninguém. Mas a entrega aos outros não revela, por si só, maior pureza de coração do que a simples gestão corrente da vida: o exercício da chamada “caridade” tornou-se hoje já uma das grandes glórias de Satanás.
— Como?
— Ele tornou-se o grande promotor da ajuda aos outros: ele descobriu nesta tão meritória actividade caritativa a melhor forma de afastar as pessoas da verdadeira Saída para a sua Libertação.
— A ajuda aos outros deixou então de ser, neste mundo, um bem e passou a ser um mal encapotado!?
— Sim. Trata-se de uma cilada extremamente eficaz, porque a capa da bondade é perfeita e torna-se assim particularmente difícil desmascará-la.
— Explica então melhor porque se trata de uma cilada.
— Porque por esta via afasta as pessoas de si mesmas, do seu próprio Centro onde, exclusivamente, está a porta de saída para a crescente Angústia que invade o mundo.
— E como se farão as pessoas regressar ao Centro?
— Ninguém o poderá fazer, mesmo que esta Verdade seja difundida por toda a terra! Só o Espírito o fará, na Hora oportuna.
São 7:18!?
terça-feira, 6 de abril de 2010
47 — Apostasia encapotada
29/7/00 — 5:27
No início deste meu decisivo encontro com Jesus, há precisamente seis anos, recordo-me que Lhe dizia frequentemente, como que formulando uma promessa inabalável: Desta vez não Te vou largar mais!
Eu tinha, portanto, a clara consciência de ter abandonado Deus. Justamente a partir do momento da minha ordenação sacerdotal, acontecida no verão seguinte àquela Páscoa em que vi a Luz! Foi um afastamento progressivo, lento mas contínuo, até ao ponto de ter o meu tempo todo ocupado, dia e noite, com os meus projectos. Passava dias, meses, sem sequer elevar o pensamento a Deus! Coincide este tempo claramente com a minha inserção na “vida activa”, em que as actividades que me eram distribuídas pela Instituição me davam cada vez mais largas possibilidades de iniciativa pessoal. Era, pois, possível fazer planos que implicassem o avanço para fora do estrito cumprimento mecânico de deveres. Estive assim sempre implicado em iniciativas originais, que levava a cabo invariavelmente sozinho ao nível da direcção. Eram tudo obras verdadeiramente minhas, em que me empenhava até ao esgotamento de todas as minhas forças. Normalmente não tinham sequência quando a Instituição me mudava de lugar. Às vezes terminavam em autêntico fracasso.
Mas eram obras minhas! - julgava e sentia eu. Não me lembro de alguma vez ter colaborado em iniciativas alheias. Mesmo nas actividades mais rigidamente normatizadas e ritualizadas eu introduzia desvios de cunho original. Eu tinha que tornar meu aquilo que me era imposto. E foi assim, servindo-se desta minha aversão natural a ritos e normas, originalmente um grande Dom de Deus, que o Diabo me foi inoculando o vírus da Rebeldia. Fazia tudo em Nome de Deus, claro! Mas eram tudo obras minhas, que me tiraram todo o tempo para ouvir Deus. Proclamava eu que tudo era feito por causa do Reino de Deus - a obra e o suor nela derramado. Mas nunca me dei ao incómodo de perguntar a Deus se era aquilo mesmo que Ele queria, se a minha obra Lhe interessava. Era portanto eu que determinava quais eram as obras que agradavam a Deus. Eu era verdadeiro Caim, acumulando diante dos Olhos de Deus ofertas e mais ofertas, sem procurar saber se Lhe agradavam.
É claro que Deus as rejeitou todas, como fez com a oferta de Caim. E só agora vejo o Seu Olhar triste, dizendo-me: Pára, Salomão! Nada disso Me interessa! Ouve-Me! Ouve-Me! Só quero que Me ouças!…
Então um dia Deus veio ter comigo e eu ouvi-O, finalmente. Ele ficou muito feliz, porque passara trinta anos a ver afastar-me e depois a esperar que eu voltasse. Sempre junto de mim. Até que O reconheci: era a Luz que eu tinha visto!
São 7:31.
No início deste meu decisivo encontro com Jesus, há precisamente seis anos, recordo-me que Lhe dizia frequentemente, como que formulando uma promessa inabalável: Desta vez não Te vou largar mais!
Eu tinha, portanto, a clara consciência de ter abandonado Deus. Justamente a partir do momento da minha ordenação sacerdotal, acontecida no verão seguinte àquela Páscoa em que vi a Luz! Foi um afastamento progressivo, lento mas contínuo, até ao ponto de ter o meu tempo todo ocupado, dia e noite, com os meus projectos. Passava dias, meses, sem sequer elevar o pensamento a Deus! Coincide este tempo claramente com a minha inserção na “vida activa”, em que as actividades que me eram distribuídas pela Instituição me davam cada vez mais largas possibilidades de iniciativa pessoal. Era, pois, possível fazer planos que implicassem o avanço para fora do estrito cumprimento mecânico de deveres. Estive assim sempre implicado em iniciativas originais, que levava a cabo invariavelmente sozinho ao nível da direcção. Eram tudo obras verdadeiramente minhas, em que me empenhava até ao esgotamento de todas as minhas forças. Normalmente não tinham sequência quando a Instituição me mudava de lugar. Às vezes terminavam em autêntico fracasso.
Mas eram obras minhas! - julgava e sentia eu. Não me lembro de alguma vez ter colaborado em iniciativas alheias. Mesmo nas actividades mais rigidamente normatizadas e ritualizadas eu introduzia desvios de cunho original. Eu tinha que tornar meu aquilo que me era imposto. E foi assim, servindo-se desta minha aversão natural a ritos e normas, originalmente um grande Dom de Deus, que o Diabo me foi inoculando o vírus da Rebeldia. Fazia tudo em Nome de Deus, claro! Mas eram tudo obras minhas, que me tiraram todo o tempo para ouvir Deus. Proclamava eu que tudo era feito por causa do Reino de Deus - a obra e o suor nela derramado. Mas nunca me dei ao incómodo de perguntar a Deus se era aquilo mesmo que Ele queria, se a minha obra Lhe interessava. Era portanto eu que determinava quais eram as obras que agradavam a Deus. Eu era verdadeiro Caim, acumulando diante dos Olhos de Deus ofertas e mais ofertas, sem procurar saber se Lhe agradavam.
É claro que Deus as rejeitou todas, como fez com a oferta de Caim. E só agora vejo o Seu Olhar triste, dizendo-me: Pára, Salomão! Nada disso Me interessa! Ouve-Me! Ouve-Me! Só quero que Me ouças!…
Então um dia Deus veio ter comigo e eu ouvi-O, finalmente. Ele ficou muito feliz, porque passara trinta anos a ver afastar-me e depois a esperar que eu voltasse. Sempre junto de mim. Até que O reconheci: era a Luz que eu tinha visto!
São 7:31.
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