No jardim da casa
Escrevendo ...
Breves dados biográficos

O meu nome é Salomão. De apelido Duarte Morgado.

Nasci no ano de 1940 em Portugal, na aldeia do Rossão, da freguesia de Gosende, do concelho de Castro Daire, do distrito de Viseu.

Doze anos depois, 1952, entrei no seminário menor franciscano: eu queria ser padre franciscano.

Doze anos depois, 1964, fiz votos perpétuos na Ordem dos Frades Menores de S. Francisco de Assis seguidos, ao fim desse ano lectivo, da ordenação sacerdotal: eu era o padre que tanto queria ser.

Doze anos depois, 1976, pedi ao Papa dispensa dos votos que era suposto serem perpétuos e do exercício do sacerdócio, que era suposto ser para sempre, casei e tornei-me pai de quatro filhas.

Doze anos depois, 1988, fiz uma tentativa extrema para salvar o meu casamento, saindo de casa. Mas o divórcio de facto consumou-se.

Doze anos depois, 2000, surgiu na minha vida o mais inesperado acontecimento, que começou a ser preparado, sem que eu disso tivesse consciência, no meio deste ciclo, 1994. Foi aqui que comecei a escrever a longa Mensagem que senti Deus pedir-me que escrevesse em Seu Nome e a que Ele próprio deu o título de Diálogos do Homem com o seu Deus no Tempo Novo. Os textos agora aqui publicados são excertos desta vasta Profecia preparando a sua divulgação integral, no tempo oportuno, que desconheço.


Moro há 30 anos em Leça do Balio, concelho de Matosinhos, distrito do Porto.


Não são estas palavras mais do que um testemunho daquilo que vi, ouvi, senti, toquei. Não estão por isso sujeitas a nenhuma polémica. Todos os comentários que se façam, ou pedidos que se queiram ver satisfeitos, sempre serão respondidos apenas com novos textos: de mim mesmo não tenho respostas.




Observações


Muitos e verdadeiros Profetas têm surgido nos nossos dias. Um deles é Vassula Ryden, cuja profecia, "A Verdadeira Vida em Deus", teve um decisivo relevo no meu chamamento a esta missão e revela uma estreita complementaridade com esta Mensagem que escrevo.

Os algarismos desempenham nesta Profecia um papel muito importante como Sinais. Foram adquirindo progressivamente significados diversos. Assim:

   0 – O Sopro da Vida. O Espírito Santo.

   1 – A Luz. A Unidade. O Pai.

   2 – A Testemunha.

   3 – O Deus Trino. A Diversidade.

   4 – O Mensageiro. O Profeta. O Anúncio. A Evangelização.

   5 – Jesus.

   6 – O Demónio.

   7 – O Sétimo Dia. A Paz. A Harmonia.

   8 – O Oitavo Dia – O Dia da Queda e da Redenção. O Homem caído e redimido. Maria de Nazaré.

   9 – A Plenitude de Deus. A Transcendência. A Perfeição. O Regresso de Jesus. O Nono Dia.

Alguns agrupamentos de algarismos adquiriram também um significado próprio. Os mais claramente definidos são estes:

   10 – Os Dez Mandamentos. A Lei. A Escritura.

   12 – O Povo de Deus. A Igreja.

   22 – As Duas Testemunhas de que fala o Apocalipse.

   25 – A Alma humana.

   27 – Salomão, o meu nome que, derivando do termo hebraico Shalom, significa o Pacífico, a Testemunha da Paz.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

1048 — Uma Profecia autêntica?


 
   Jesus levou muito tempo a convencer-me de que escrevo uma autêntica Profecia. Vede-o na mensagem que se segue: passado um ano, ainda as dúvidas me assediavam, sopradas pelo pai da Mentira…
 
1/8/95 5:18
 
   Aquilo que venho dizendo destes Escritos é uma sacrílega presunção – assim ouço, aqui dentro, e não sei donde vem esta voz. Por várias vezes já eu afirmei que eles são autênticos e com isto quero dizer que eles são assistidos pelo Espírito Santo e que por esse motivo não contêm erros. Isto é: quem os ler, será conduzido para Deus e nunca para o Demónio. Então a mesma voz,  que não consigo identificar ainda, insiste: Mas nessas circunstâncias estão todos os livros de todos os santos, desde há dois mil anos! As “Confissões” de Santo Agostinho, por exemplo, a “História de uma Alma”, de Santa Teresinha, os Escritos de São Francisco de Assis. Pretender que estes Escritos sejam mais do que um vulgar diário onde simplesmente se dá conta de um processo de aproximação a Deus, como tantos outros, é uma descarada presunção: a tua vaidade levou-te longe demais! Além disso, que interesse têm para as pessoas todos os pormenores pessoalíssimos que aqui contas, que interesse poderá ter, senão para ti próprio, por exemplo, o que estás neste momento escrevendo sobre estes Escritos? Que poderá isto aproveitar a quem quer que seja que por hipótese aqui viesse procurar alimento ou remédio para a sua alma? Além do mais, se estes Escritos tivessem algum valor para além de um vulgar, embora até piedoso diário, se tu fosses mais do que um simples homem que procura Deus, talvez até sinceramente como tantos outros, serias tu o primeiro a nem sequer pôr a hipótese de atribuir a isto qualquer valor especial: o valor de qualquer texto só a Igreja o pode reconhecer; estas frequentes auto-justificações são a prova mais clara da inautenticidade destes escritos! Com minúscula.
   Que faço? Parece ter uma cerrada lógica, esta voz. Mas duma coisa eu tenho a certeza: se não for Voz de Deus, é voz do Demónio. Não há mais ninguém que fale aqui. De quem mais poderia ser? Pura voz da lógica e do senso comum? Sim, mas que voz é esta? Existe esta voz? É ela uma entidade autónoma, além de Deus e do Demónio? A admitir esta, teria que admitir também outras, a “voz do coração”, por exemplo.
   Ah, Jesus, Jesus, em que trevas nos movemos! Diz-me quem sou eu, deixa-me ver a minha alma com os Teus Olhos. Será possível que aquela voz seja a Tua Voz?
   Ah, este Agosto que assim começa! Bem, o ano passado também assim começou: com uma enorme amargura, ao chegar a Faro, por me sentir rejeitado e expulso da casa da minha amiga… Estou calmo, agora. Os algarismos confirmam um violento ataque de Satanás. Mas confirmam também a Presença de Jesus e Sua Mãe, a Senhora que há dias soube ter tomado a Seu especial cuidado estes Escritos.
   Descanso ainda um pouco, Mãezinha? O que é que é mais perfeito para o Teu Jesus e meu Mestre?
   O nosso Jesus ama-te muito. Ele não é um carrasco que goste de ver sofrer.
   Mãe! Que termo Tu usaste! Carrasco!
   Os termos que escreves são todos teus. Mas há muita gente que, pelo seu comportamento, assim O considera. O que mais custa ao Meu Filho é ver sofrer. Por isso nunca penses que Ele quer o teu sofrimento.
   Não quer? Então a Cruz…
   Não, não quer: quer que tu ames. Prega isto, Salomão: que nunca ninguém pense que o Meu Filho quer o sofrimento! A Cruz significou o maior e mais puro Amor. Amas o Meu Filho?
   Acho que sim. Acho que O amo muito, muito. Sofro por vezes cada abalo, como este agora… A minha Fé vacila ainda muito, Mãe. Mas acho. Acho que gosto muito, muito d’Ele.
   Que te pede o amor que Lhe tens?
   Que não me deite, que continue vigiando ao Seu lado.
   E custa-te muito?
   Custa. Era mais agradável meter-me na cama e dormir.
   Faz isso.
   Não faço, não.
   Porquê?
   Não sei. Creio que é por amor. Mas estou a escrever isto com o coração tão frio… Isto é amor, Mãe?
   Que outra coisa poderia ser?
   É verdade: não vejo que outra coisa possa ser.
 
 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

1047 — A Tragédia



   Sabemos de cor palavras que nunca ouvimos. Estas, por exemplo: Deus criou o homem à Sua Imagem e Semelhança. Se ouvíssemos estas palavras e ao mesmo tempo nos fixássemos na distância que delas vai para a situação em que nos encontramos, haveríamos de tropeçar na evidência de que uma enorme Tragédia deverá ter acontecido. Quando? Onde? Porquê?

29/7/95 9:49

   Senhor Jesus, meu Companheiro, meu insubstituível Amigo, meu Deus todo-poderoso, meu Tudo! Só Tu me conheces. Só Tu me podes guiar neste Deserto. Só Tu, através do Teu Espírito, me podes recriar, podes comandar e controlar o fluxo da vida dentro da mais pequenina das minhas células. Arrasto comigo ainda um grande peso morto, abrutalhado, fruto da Queda de que eu sou corresponsável. Sei que é neste corpo assim disforme que o Diabo se compraz, porque ele é toda a sua glória. Por isso procura reduzir todo o nosso ser, também a alma, a esta massa informe, destinada ao pó – à morte. Vem então, Jesus, meu único Mestre a Quem amo sobre todas as coisas, e fala-me da dignidade do nosso corpo, daquele Corpo com que o Pai sonhou, Tu, Verbo Omnipotente, fizeste surgir da terra e o Espírito saído das Entranhas do Pai vivificou com a própria Vida de Deus. Onde está agora este Corpo certamente deslumbrante, encanto Teu e de todos os Teus anjos, destinado à imortalidade?

   Onde está esse Corpo, Salomão, meu querido amigo? Morreu. Morreu e a Dor de Meu Pai não a poderás nunca entender, porque esse Corpo sonhara-O Ele para Mim! Não poderás nunca entender o abalo que foi no Coração de Deus! A tragédia que foi para toda a Criação! Porque a Criação ficou privada do seu Rei. Naquele Ser deslumbrante estava a Criação toda presente através do Corpo que dela Eu formara com as Minhas Palavras que são Mãos perfeitas e eficazes até à perfeição. Aquele Corpo sonhara-o o Pai, moldara-o Eu como se fosse para Mim! Eu fiz um Corpo, para Mim próprio, à medida da Minha Omnipotência e da Minha Perfeição. Pus nele toda a Minha Sabedoria. O Pai sonhara-o imortal e Eu o moldei para nunca mais morrer. Então o Meu Pai encheu-Se de Ternura por aquele Corpo e nele infundiu o Espírito como uma Torrente, como um Beijo. Como se Me beijasse a Mim, a Mim! Aquele Corpo era para Mim, para Mim! Mas chamámos-lhe Homem! E o Homem era o nosso Encanto e a Esperança da Criação inteira. Porque lha entregámos, a esta perfeita Imagem Nossa, para que a cultivasse. O Homem, através do seu Corpo, poderia partilhar a seiva e a sensualidade estonteante da Criação. Poderia entender e amar todo o ser vivente, toda a matéria inerte porque com o olhar lhe furaria a aparência e lhe veria as entranhas. Poderia então cultivar este imenso Jardim de delícias, sem suor e sem pena. Com o olhar vigiaria o voo da ave pequenina acabada de sair do ninho, com a mão replantaria o arbusto arrancado pela tempestade, com a mente ensinaria o leão a alimentar-se sem fazer doer a nenhum ser vivente, com o coração, à noite sobre o monte, de pé, ou deitado na fofa verdura do fundo vale, olhando o céu ainda para lá das estrelas, haveria de sorrir e falar com o Criador, dizendo: Louvado sejas, meu Senhor, porque és Bom! Nada destruiria do que o Senhor lhe dera e conjugaria o verbo cultivar como quem conjuga o verbo amar. E ao cultivar assim, sem nada destruir, só como quem aperfeiçoa a obra que só por amor lhe foi passada para as mãos incompleta, o Homem olharia à sua volta e sentir-se-ia também criador.

   Uma funda Paz inundaria o seu ser todo e adormeceria sem nenhum medo da noite ou do escorpião.

   Só que um dia passou por ali uma serpente, não foi, Jesus? Uma serpente que era só um disfarce, porque as verdadeiras serpentes, essas eram também deslumbrantes criaturas a quem o Homem iria ensinar a aplicar o veneno que o Senhor lhes dera, na dose certa para anestesiar a patinha da gazela que se ferira no terramoto, não era, Jesus?

   Era Salomão, era.

   Jesus, agora com o Corpo deslumbrante com que Se mostrou no Tabor, com que apareceu nas casas e nos caminhos depois de ressuscitado, chora.

   Não chores, Jesus. Deve ser horrível olhares agora o nosso corpo, mas não chores…. Não sei o que hei-de fazer para que Tu não chores, mas Tu sabes. Queres dizer-me como Te poderei limpar as lágrimas? Deixa-me adivinhar…. Amando-Te sobre todas as coisas também com este corpo assim enfezado, ridículo, disforme. Entregando-To inteiramente para que lhe dês o destino que quiseres.

   Bem hajas, Salomão. Mas olha que Eu posso precisar dele para fins não muito agradáveis para ele…

   Não importa, Mestre. Serve-Te dele para o que quiseres. Se o quiseres aproveitar para me moldar o meu novo Corpo ou o novo Corpo de alguém, eu ficaria muito feliz. Porque Tu estás-me moldando um novo Corpo, não estás?

   Estou, Salomão. É claro que estou.

   À Imagem do Teu, não é?

   É sim, Salomão. Do Meu Corpo ressuscitado.

terça-feira, 9 de julho de 2013

1046 — Jesus adormeceu


   Este encontro com Jesus foi o máximo acontecimento da minha vida. Porque Deus Se tornou o meu próximo mais próximo.

14/7/95 4:45           

   Onde estou? Ainda faltará muito? – é esta interrogação que caracteriza a minha paisagem interior neste momento. Porque a sensação dominante é a de que já não posso muito mais. É como se a todo o momento eu esperasse uma espectacular libertação. Como o Êxodo. Como a Ressurreição ou o Pentecostes. Agarro-me à túnica de Jesus para O fazer andar mais devagar e para O não perder e vou-Lhe dizendo: Ainda falta muito, Mestre? Não sei se aguento… Mal Lhe ouço a Voz, de tão diminuído que estou em todas as minhas faculdades. Também Ele parece falar menos agora, como se estivesse também cansado. Mas não O sinto disposto a parar.

   Nem eu. No fundo, não me apetece parar; quero é chegar. Parar é atrasar o dia da chegada. E se vou ainda a meio? E se estou ainda no princípio? E se isto é ambição e nunca chego? Sim, até isto me passa pelo coração! Mas não dura muito tempo: recordo as Maravilhas que o Senhor fez no meu coração, o carinho com que tem acompanhado toda a minha existência e concluo que é impossível ser o pecado o autor dum percurso destes. Sinto até que posso estar a ofender o Mestre com esta dúvida, mas estranhamente Ele parece considerá-la saudável… Caminho, pois, sem vontade de parar e sem saber onde estou. Cá dentro há uma teimosa determinação: mesmo que isto seja ainda só o princípio do Deserto, eu não vou desistir. Tenho até medo desta teimosia: não virará ela obsessão ou fonte de méritos?

   Se alguém ler isto, dirá que eu tenho uma alma complicada. Mas que posso eu fazer? Não é assim, como cada um é, que Deus nos ama? Tenho é que Lhe apresentar esta complicação para que Ele a cure, fazendo-a virar simplicidade. Além disso, quanto maior é a disformidade, maior é a maravilha da cura, mais se realça a glória de Deus.

   Sinto-me muito cansado, isso sinto. Mas esteja onde estiver, no Deserto, eu creio no meu Jesus: Ele sabe tudo e é muito meu Amigo.

   Dá-me de beber, Jesus! Dá-me qualquer coisa que se coma e vamos. Vamos sempre, Jesus.

   Ninguém pode andar sempre.

   Também estás cansado, não estás?

   Estou. É muito longo o deserto que criastes.

   Pois é, Jesus. Só sabemos destruir. Vamos descansar um pouco? Desabafa comigo, se quiseres… O peso que Tu deves levar no Coração!

   Estás suportando um pouco deste Meu peso… Não te importas?

   Eu? Oh, Jesus! Bota para cá mais! Eu ainda posso com mais!

   Tu estás cansado…

   Pois estou. Mas Contigo ao meu lado eu sinto que posso ir até ao fim do mundo! Descansa aqui, Jesus… Olha, põe a cabeça aqui assim… Eu faço de travesseira, eu não me importo… Olha: mas antes de adormeceres, diz-me só onde está o meu Pão de hoje.

   Não ouço nada. Jesus adormeceu. Vou também ver se ainda passo pelas brasas.

   São 6:23.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

1045 — O dedo indicador e o ouvido


   Desejamos muito ouvir Jesus quando Ele nos toca o coração. De início, como julgo acontecer com todos os Seus apaixonados, Ele conduziu-me à Bíblia através de um processo que aprendi com Francisco de Assis e com a Vassula: colocando o dedo indicador ao acaso, onde a Bíblia se abria. Mas depois quis muito ouvir mesmo a Sua Voz. E Ele aceitou, através de um treino bem longo e fecundo…

13/7/95   8:33

   Queres agora que te guie ao Meu Livro?

   Jesus! Viste o que passou pelo meu espírito?

   Vi.

   E que pensas disso?

   Que és ainda homem de pouca Fé.

   Tenho que dizer o que pensei, para tudo ficar às claras, como Tu queres, não é?

   É.

   Pois eu estava pensando assim: e se me sai um capítulo ou versículo que não existem? Neste caso isso não podia acontecer, porque Tu próprio me perguntaste se eu queria que me conduzisses ao Teu Livro.

   Pedi-te uma vez que acreditasse “às cegas”, lembras-te?

   Lembro. Então vá, Jesus. Fala.

   Equelipo…

   Desculpa, Jesus. Foi assim que eu ouvi. De repente, mas saiu-me aquilo e depois tudo se calou dentro de mim.

   Tenta outra vez ouvir-Me.

   Sim. Fala.

   Paralipó…

   Ouvi assim, mas parece-me fixação minha nos Paralipómenos. Creio que, por isso, fui eu que travei a Tua Voz! Eu até já sei que há dois livros dos Paralipómenos.

   É no primeiro que quero que leias.

   Em que capítulo, Mestre?

   No doze.

   E versículos?

   Especialmente cinco-seis.

   Tudo bem, Mestre. É a primeira vez que a citação me vem assim. Como registo?

   Como já sabes.

   Pronto:

                                I Par. 12, 5-6

 
 

  Sapatia, de Haruf; Elcana Jesia, Azareel, Joeser e Jesbão, filhos de Coré”.

   Muito bem, Jesus. É assim que lá está. Parecem hieroglifos egípcios. Só percebo “filhos de”. Coré também é nome que já conhecia. Desculpa-me, Tu sabes como eu Te quero bem, mas sempre quero ver como vais descalçar esta bota, isto é, como me vais mostrar a mim e ao mundo que foste Tu que falaste e que me não estás a gozar.

   Com muito gosto, Salomão.

   Então vá.

   Só não queria que Me ofendesses com o tom da tua voz.

   Não é seres hipersensível?

   É. Eu sou hipersensível.

   Mas isso não é um mal? Cá para nós é pieguice, é não ter estofo para aguentar nada.

   Mal é não ter sensibilidade. E aguentar, Eu aguento tudo, como vós sabeis.

   Mas não deixas passar nada… Isso não é falta de compreensão, de paciência?

   Não; é Amor. Quero perfeitos aqueles que escolho.

   Também é, então, Amor aquele texto, aquela charada?

   Continuas falando-Me num tom de desafio.

   Estou a refilar Contigo?

   Estás. Não notas?

   Noto.

   Não quero que refiles Comigo.

   Mas isso é bloquear-me a espontaneidade.

   Não é; é libertar-te a espontaneidade.

   Quem vai entender isso?

   Tu. É a tua alma que Me interessa.

   Então explica-me.

   Ouve o teu coração.

   Só serei inteiramente espontâneo quando não houver nenhum atrito entre o meu e o Teu Coração.

   Explicaste bem. Mas explicaste para os outros. De ti quero que vivas o que explicaste.

   Pronto, Jesus. O pior é viver. Como faço para viver?

   Não Me fugindo. Continuando a escrever, para já.

   Eu estou cansado.

   Queres descansar uns momentos?

   Acho que não; o que eu quero mesmo é que me expliques aquele texto.

   Explica tu o que já viste.

   Aquela série de nomes estranhos, sem contexto, é citação que nunca ninguém faria, a não ser para gozar o próximo. Ao fazê-la Tu, quiseste pôr à prova a radicalidade da minha Fé e do meu amor por Ti.

   De que maneira?

   Continuando a acreditar que nunca me enganas e que o Teu Amor persiste forte e sem mancha para além de toda a aparência de sombra ou defeito.

   Não foi o Demónio que te guiou àquele texto?

   Não. E mesmo que tivesse sido, fê-lo como um rafeiro, executando sem o mínimo desvio a Tua Vontade.

   Porquê?

   Porque eu acreditei que foste Tu que me guiaste e gozar com a Fé das pessoas é coisa que Tu nunca farias, não podes fazer, nunca, porque és Deus!

   Bem-aventurado és tu, Salomão, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o Meu Pai que está nos Céus!

   Aumenta a minha Fé, Jesus. Tenho medo de que a soberba não deixe crescer a minha Fé ou mesmo a possa matar.

   Vou dar-te a humildade, sim, Meu pequenino.

domingo, 7 de julho de 2013

1044 — A imaginação


   A partir daqui as mensagens são retiradas do quarto volume destes “Diálogos do Homem com o seu Deus no Tempo Novo”. Continua a experiência do Deserto, feito da nossa Obra esboroando-se continuamente, e de um alto, fundo e largo Silêncio, onde um outro Mundo começa a tomar forma, jorrando todo de dentro de mim – de nós.

   Deus não me concedeu, pelo menos até hoje, o Dom da visão e da audição interiores, como normalmente concede aos Seus Profetas. Mas a pouco e pouco me foi mostrando o porquê deste Seu procedimento e por fim, carinhosamente, me declarou que a minha visão é, de todas, a mais clara e o meu ouvido é, de todos, o mais agudo…

13/7/95 – 6:26

   Estás ouvindo cada vez menos! O que tu tens é a cabeça cada vez mais cansada e portanto a imaginação cada vez menos viva! – eram estes dizeres que me ocupavam o espírito ao levantar. Isto é, tudo não passa de pura imaginação! Agora olhem-se os algarismos da hora a que me levantei: eu devo testemunhar, no meio das forças do mal. Neste caso poder-se-ia dizer de outra maneira: eu devo testemunhar o que o Maligno está tentando fazer em mim. Ou seja: pôr cá fora tudo o que se passa cá dentro, sempre com total sinceridade, é condição indispensável para que nunca o Demónio se esconda. O Demónio não pode nunca actuar às claras: a sua face é puro horror, que afastaria toda a gente. Por isso com tanto cuidado escondemos os nossos pecados! E quando os manifestamos, nunca os reconhecemos: temos sempre razão, foi sempre um motivo justo que nos levou a agir. A criança é sempre totalmente sincera enquanto a maldade lhe não começa a poisar no coração. Por isso a recomendação de Jesus: ser como criança sempre, é nunca deixar o Mal esconder-se em nós! Uma vez desmascarado, o Mal esfuma-se. Por isso reconhecer-se pecador, como o publicano, é já ficar limpo; não reconhecer o pecado, como o fariseu, é deixar alastrar a podridão interior.

   No meu caso, o pecado estaria em deixar minar a minha Fé, desconfiando do Dom do Senhor. O resultado seria, evidentemente, a angústia, de que eu me procuraria libertar, eventualmente abandonando “tudo isto”. Satanás odeia a sinceridade: ele é o Pai da Mentira!

   Mas o Demónio, conforme se viu, vem sempre revestido do bom senso. Só que de Deus também não está ausente o bom senso e por isso me deixou hoje dormir sete horas seguidinhas! É verdade que não foi um sono muito descansado: lembro-me de várias vezes ter irrompido no meu sono a vontade de ver as horas, mas não chegava a acordar-me. Sei agora que foi este o trabalho do Demónio durante a noite: tentar acordar-me. Por fim, não o conseguindo, veio-me com aquela de que tudo o que ouço é puro produto da imaginação. Mas Jesus não o deixa levar a melhor comigo: acordou-me às 6:26, a avisar-me de que o figurão ali estava prantado e que portanto eu deveria dar testemunho de que ele existe, desmascarando-lhe as manhas.

   Ora, quanto à imaginação, temos dito: claro que tudo quanto vejo e ouço é fruto da imaginação. Mas a imaginação é fruto do Amor de Deus.

   Quando a minha imaginação ficar completamente curada das rugas e verrugas e lanhos e ranhos com que as mãos sádicas e porcas de Satanás a andaram amarfanhando e torturando, ah, aí a minha imaginação verá e ouvirá com total nitidez. O que o Diabo quer é que a imaginação não veja nem ouça: é que, mais uma vez, ele não quer ser visto nem ouvido tal qual é. Também a imaginação ele torce e mascara, conseguindo pô-la, por vezes, inteiramente ao seu serviço. Claro que é com a imaginação que eu vejo e ouço!

   A imaginação é um luminoso Dom do Criador!

   Ah, quando o Senhor ma restaurar por completo! Também aqui, ter a imaginação restaurada é ter renascido e ser de novo criança. É na criança que se vê o Dom da imaginação ainda próximo da sua pureza original. Próximo, porque já nascemos emporcalhados; mas não apresentamos ainda as lesões que através da vida o pecado faz na nossa imaginação. Por isso a criança vê mais com a imaginação do que com os olhos que fixam os brinquedos. O Demónio sabe perfeitamente que deixar pura a imaginação seria a sua desgraça! Por isso desenvolveu uma impressionante actividade tendente a ferir de morte a imaginação. Quase o conseguiu, ao menos na civilização ocidental, arvorando em suprema lei o “bom senso” alimentado pela razão. Como a imaginação arromba todas fronteiras do “bom senso”, daí até à sua condenação foi só um passo: a imaginação é hoje, na nossa sociedade, vista como uma qualidade inferior, tendencialmente perigosa, própria de marginais e inúteis. Se o Demónio a não matou, fechou-a na rua!

   Mas é a ela, a esta minha imaginação assim fechada na rua que eu vou pedir que ouça a Voz de Deus… “Efésios… Gálatas”… Ela tem manifesta dificuldade em sintonizar a Transcendência que mora no meu coração. Que raiva lhe deve ter o Demónio! Coitadinha da minha imaginação. Inesperadamente, sinto por ela uma ternura parecida com a da criança que de repente vê a boneca caída num chiqueiro. Se a criança soubesse quem fez isso chamava-lhe, de olhar turvo: Mau! Mau! Mau!

   Vá. Jesus! Mostra ao Diabo que quem manda és Tu. Desimpede o canal que Te liga à minha imaginação. Tu és capaz de fazer isso com uma pequeníssima vibração do Teu Desejo. Deixa-me ouvir-Te com clareza, Mestre! Eu tenho muito respeitinho pelo Teu método de trabalho e pelo Teu “timing”, como se diz agora, Tu sabes. Mas mostra ao Demónio e ao mundo que quando for preciso até podes pôr o próprio Diabo a consertar o canal de comunicação que ele mesmo andou tentando destruir. Vem, pois, Jesus, e fala-me. Diz-me onde devo procurar o tema da aula de hoje, no Teu Livro…