quarta-feira, 2 de maio de 2012
764 — Anúncio demolidor
– 19:46
Os únicos algarismos que hoje sublinhei
foram os desta manhã: 9:46. Não sei ainda porque os sublinhei, nem porque um
subtil impulso me fez ir verificar esse facto. A verdade é que o resultado
dessa verificação foi a descoberta de uma estranha semelhança entre aqueles Sinais
e estes agora, ao começar a escrever e que, só por esse facto, vou neste
momento sublinhar. Tanto uma como outra imagem me falam do luminoso Nono Dia,
em que o Mistério de Deus Três Vezes Trino será anunciado num mundo dominado
pela Besta. Não sei, contudo, porque assim me chamou o Mestre a atenção, de
forma tão clara, para aqueles Sinais. Porém, aquilo que hoje escrevi,
nomeadamente esta tarde, é um Anúncio demolidor em relação à Ordem implantada
na Cidade, este reino construído pela mão do homem ao serviço da estratégia da
Besta. Mais me diz o Mestre que este tempo em que escrevo são os “trezentos e
noventa dias” em que terei que permanecer “deitado”, na situação descrita no
versículo anterior: “Vou ligar-te com cordas, para que não possas voltar-te de
um lado para o outro, até que tenhas chegado ao fim destes dias de prisão”.
Durante estes dias comerei o Pão que o Senhor acaba de me mostrar.
terça-feira, 1 de maio de 2012
763 — Nenhuma igreja pode atirar a primeira pedra a outra igreja
– 17:23
Ao princípio da tarde ouvi com
muita nitidez isto: ”Ezequiel quatro, nove”. Li e não entendi. Realço agora:
Ez 4, 9
É assim que está escrito:
E nada entendo ainda, a não ser que se trata
de palavras inseridas num contexto manifestamente simbólico. Mas nenhuma
palavra da Escritura eu a posso passar à frente com o argumento de que a não
entendo: Se o Espírito a ela me conduziu, é para que a entenda, isto é, para
que dela me alimente; passar adiante é deitá-la fora. E eu começo a não
suportar deitar fora uma migalha sequer do Pão com que Jesus me está
alimentando.
“Apanharás trigo,
cevada, favas, lentilhas, milho e aveia, o que colocarás num mesmo recipiente,
a fim de fazeres pão para ti. É isto que comerás durante o tempo que estiveres
deitado, ou seja, durante trezentos e noventa dias”.
E inesperadamente, à palavra Pão que acabo
de escrever, lembrei-me do próprio texto que disse não entender. Também aí o
assunto é precisamente o pão com que o Profeta deverá alimentar-se “durante
trezentos e noventa dias”. Um pão estranho, feito de tudo quanto é grão ou
produto convertível em pão.
– Ensina-me falando comigo, Mestre.
– Estava já no teu coração o Meu Espírito
transformando em Luz o Pão que te trouxe, não reparaste?
– Sim. De repente começo a ver várias
coisas…
– Começa por uma delas.
– Também aqui o Pão de que a Escritura fala
és Tu.
– Sou sempre Eu, Salomão. Não há outro pão
presente na Escritura senão Eu.
– O pão de que fala Ezequiel é a Tua
Palavra!?
– Sim. Sou Eu.
– Uma outra coisa que me surpreendeu foi o
facto de o texto referir vários tipos de grãos.
– Eu não tenho um só sabor.
– Diz-me o que queres que eu entenda em
concreto, hoje, na situação em que nos encontramos.
– O Meu Pão não provém de uma seara só.
– Entendo por agora que o Teu Pão, aquele
com que alimentaste o Teu Profeta, não provém só da seara de trigo, mas também
de um campo de favas.
– É a ti que eu peço agora que exponhas o
que já entendeste.
– O Profeta a quem estás falando agora sou
eu.
– E que te estou pedindo?
– Que não exclua nenhuma das palavras de
nenhum dos Profetas….
– Escreve isso que te está no espírito.
– Profetas individuais e colectivos.
– Quem são os Profetas colectivos?
– São as igrejas. Todas as comunidades que
invocam o Teu Nome, em que as Tuas sementes foram semeadas….
– Não pares.
– ….independentemente do bom ou mau testemunho
que tenham dado.
– Porquê, Salomão?
– Porque todas
as igrejas são pecadoras.
– Escreve essa dúvida que te anda no
espírito.
– As seitas, Senhor! As seitas também são
Profetas Teus?
– Apresenta-me uma só das Minhas igrejas que
possa atirar a primeira pedra a qualquer seita! E mais te pergunto: como
distinguis vós igrejas de seitas?
– Eu, na verdade, tenho dificuldade em
identificar as boas e as más comunidades, entre todas aquelas que Te invocam.
– Que te diz mais o Texto que hoje te dei?
– Reparei também no facto de o Profeta dever
reunir “num mesmo recipiente” todos os grãos recolhidos, apesar da sua
variedade, para deles fazer uma só farinha e um único pão.
– Assim deverás fazer tu “durante o tempo
que estiveres deitado, ou seja, durante trezentos e noventa dias”.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
762 — A Instituição é a face carnal da Igreja
– 9:46
Não consigo ler sem adormecer. Até sobre
este papel eu cabeceio. De facto, não me deitei mais depois que o Senhor me
acordou esta noite e aqui estou cheio de sono neste café, neste Domingo,
tentando captar a Voz e a Vontade do Senhor. Não estou a ser violentado: eu é
que assim quis, eu tenho pedido imensas vezes ao meu Mestre que me deixe vigiar
com Ele, que me deixe participar na Sua Cruz. E de vez em quando acontecem-me
surpresas como esta:
Ao vir aqui para o café trazendo, como é
costume, alguns volumes destes Escritos, a Bíblia e a Vassula, ouvi: “Leva o
volume segundo”. Sabia que se tratava do segundo volume de “A Verdadeira Vida
em Deus”. Então eu, que estava para trazer o primeiro, troquei-o pelo segundo
volume. Passados alguns momentos, ouvi assim: “Página quarenta e nove”. Não
esperei para chegar ao café e li exactamente no início daquela página: “As
horas fogem, Jesus guia-te. Não temas, Meu querido filho, tem a Minha Paz.
Jesus está contigo; Jesus é o teu guia. Ama-O como O estás a amar, Meu Salomão.
Tu estás a desagravá-Lo generosamente. Sê o bálsamo de Jesus, a Sua delícia.
Eu, a tua Santa Mãe, ajudar-te-ei. Não temas e avança, que estás no bom
caminho. Amo-te”.
Estou, pois, “no bom caminho” – disse-mo a
minha Mãe. Mas esta palavra é oca, como todas as palavras o são, em si. As da
Escritura também são ocas em si: são só rabiscos de tinta. Por isso eu posso
usá-las e manipulá-las segundo a minha conveniência. E assim tem acontecido, de
facto, muitas vezes, ao longo da História. É assim possível justificar crimes
com palavras da Escritura. A Igreja, com este corpo de carne de que também eu
sou feito, a Igreja, precisamente a institucional, a oficial, sempre justificou
abundantemente com a Escritura tudo o que fez. E fez asneiras monstras, a minha
Igreja, carne da minha carne. E foi justamente como Instituição que a Igreja
fez asneiras. A Instituição é a face
carnal da Igreja, a que peca[1].
A que se agarra às palavras da Escritura e as manipula em seu proveito e
segundo a sua conveniência – um proveito e uma conveniência retintamente
mundanos. A Igreja tem o corpo de cada um de nós: chagado, disforme, pecador. A
Igreja é um corpo que, como o meu, precisa de se converter. Precisa a Igreja,
como eu, de reconhecer e confessar os seus pecados.
Mas a Igreja, tornada Instituição, tem
atravessado os séculos de cerviz levantada, como fez Eva e Adão, no Paraíso.
Como fez Caim, muitas vezes, matando Abel. Como fez o Sinédrio, matando Jesus.
Quantas vezes! Ah, Igreja, meu corpo, onde escondeste a Cruz do teu Senhor?
Porque segues o caminho contrário ao do teu Mestre? Porque esvaziaste da
Palavra as palavras todas da Escritura? Porque sepultaste a Tradição debaixo
das tuas tradições?
Tem seguido a Igreja a rota que o Pai lhe
traçou. Mas em que estado! Com que Dor vive neste corpo o Espírito, rodeado de
células mortas! Precisa de se converter a Igreja, como preciso de me converter
eu. E converter-se, para a Igreja, significa desinstitucionalizar-se, porque
todo o seu pecado consiste em se ter feito Poder à imagem dos poderes deste
mundo.
[1] Ao passar agora este texto a
computador, dei de repente conta de que esta frase me ficou gravada em itálico,
sem que eu expressamente o quisesse, até porque ela não está realçada no
manuscrito original. O facto até pode ser explicável pela própria mecânica do
computador: eu carreguei em teclas indevidas, sem querer. A verdade é que isto
nunca antes acontecera e por isso me surpreendeu. Mas uma circunstância
especial me levou ao auge a surpresa: ao ler no manuscrito esta frase, eu
pensara: Esta é forte demais! Quando dei por ela escrita em itálico, não tive
dúvidas de que o próprio Jesus lhe quis dar um realce todo especial.
.
domingo, 29 de abril de 2012
761 — A dilacerante divisão no Coração de Jesus
11/2/96 – 6:10
Deitei-me já depois das duas, porque estive
na escola a trabalhar e depois fui buscar a L. a uma festa. Por isso uma voz em
mim dizia que não fizesse hoje a vigília, que não se justificava, que as coisas
também não podem ser assim com este rigor todo que às tantas vira rito. Muito
lógica, esta voz. Mas a verdadeira Lógica não quis assim ao acordar-me quatro
horas depois de me ter deitado. E não foi uma violência que me fez: ficou
combinado já há muito tempo com o meu Mestre levantar-me e vigiar escrevendo ou
rezando à hora em que eu acordar, seja ela qual for. Também o fim da vigília é
só quando o Mestre quiser. Considero, pois, que todo eu, nestas vigílias,
dependo da Vontade do meu Senhor. E como é possível saber assim a Vontade do
Senhor? – é este sempre o argumento fatal dos sensatos e razoáveis. E como lhes
hei-de explicar que estão a chamar mentiroso a Deus? Toda a Revelação, de
facto, se funda nesta Verdade primordial: Deus manifesta-Se ao homem. E como se
manifestaria, se não fosse possível conhecermos a Sua Vontade a nosso respeito?
Mas eles objectam: está na Bíblia e na Tradição tudo o que Deus revelou e é lá
e só lá que se deve procurar a Vontade de Deus. A Bíblia e a Tradição –
insistem – interpretadas pelo magistério da Igreja e nunca pela cabeça de cada
um! E eu, fraco a argumentar, só me ocorre responder-lhes assim: a Bíblia e a
Tradição são só palavras que, interpretadas pelo magistério da Igreja, levaram
já ao massacre de milhões de filhos de Deus e à asfixia do Espírito através de
instituições e leis e tabus e dogmas que outra coisa não são senão uma outra
forma de massacre. E foi ao escrever esta afirmação final que senti de forma
muito intensa Jesus pedindo-me primeiro que a não escrevesse, mas depois que,
escrevendo-a, a explicasse. Foi a primeira vez que isto me aconteceu. Jesus
pedia num tom impressionante, aquele tom de quem está dividido no coração entre
duas gigantescas forças: era, por um lado, indescritível a Dor de Jesus perante
o que eu estava escrevendo e pedia-me que o não escrevesse; mas era, por outro
lado, a Verdade daquelas palavras como que impondo-se-Lhe no Coração sobre o
mar de Dor a exigir ficar escrita. É indescritível este comportamento de Jesus:
apetece-nos só ter um coração do tamanho do d’Ele para O podermos consolar. Tão
homem e tão Deus este Jesus! E foi ainda com este Coração assim possuído de
titânica emoção que Ele me pediu, como um amigo muito querido, com uma simpatia
que não posso explicar, que eu não deixasse as coisas assim. Que desse a
explicação mais que justa. Que proclamasse a Verdade inteira: esta Igreja,
assim coberta de aleijões e chagas, é o Corpo de Jesus, em que nunca faltou o
Espírito, este Piloto de Olhar penetrante guiando-A, sem um único desvio, pela
rota que o Pai lhe traçou.
São 8:23.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
760 — As “maldades” de Deus
10/2/96 – 4:32
– Deuteronómio dez, catorze! – assim ouvi,
em resposta a um impulso pedindo ao Senhor o Seu Pão.
No meu espírito há uma
expectativa grande: pode não existir o versículo vinte e oito no capítulo
quarto do Génesis, podem não fazer sentido os dois versículos seguidos… É isto
que está dentro de mim, é isto que eu devo pôr cá fora e registar. Porque há também
em mim uma grande esperança de que o Mestre me vai fazer uma surpresa das Suas.
E há, de qualquer forma, a Fé em que só Bem me vai acontecer. Eis, pois:
Dt 10, 14; Gn 4, 28
Mas depois, não sei se por desconfiar do meu
ouvido, apareceu dentro de mim esta outra citação: “Génesis quatro, vinte e
oito”.
– Diz-me, Jesus, como faço agora.
– Porquê? Há algum problema em ti?
– Há dois: primeiro, admito uma qualquer
falta minha ao não confiar na primeira citação; segundo, não sei se deva
desprezar a segunda citação, se as deva considerar as duas.
– Não são, as duas, Palavra Minha?
– São.
– Porque havias então de desprezar uma
delas?
– Leio-as seguidas?
– Transcreve-as seguidas.
– Como um todo?
– Como uma só Palavra.
“Vê: ao Senhor, teu
Deus, pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo quanto nela se
encontra…”
A minha suspeita confirmou-se: não há
versículo vinte e oito no quarto capítulo do Génesis; vai só até ao vinte e
seis!
– E agora, Mestre? Estás certamente vendo a
situação ridícula em que me colocaste. Repara bem no que ficou escrito como Voz
Tua: “Transcreve-as seguidas. Como uma só Palavra”. Vejo toda a gente a rir-se
de mim!
– E custa-te muito, isso?
– De mim podem rir-se à vontade; de Ti é que
eu não queria que se rissem. E acho que no fundo é de Ti que se vão rir e Te
vão ofender, ao achincalharem a minha Fé na Tua Presença.
– Tens Fé na Minha Presença, tu?
– Não devo ter toda a que Tu desejarias, mas
tenho. Não tenho fé em mais nada, em mais ninguém, nesta vida.
– Que te diz então a tua Fé, num caso
destes?
– O mesmo que me diz a respeito da caravela:
deitaste-ma ao chão e ainda lá está, no chão, sem que eu tivesse atinado ainda
como a ponha de pé.
– Sou mau, Eu!?
– Até escrever esta Tua pergunta-sondagem me
dá um calafrio! É claro que não és mau, Jesus!
– Como explicas então estas “maldades” que
te faço?
– Não explico: aceito-as como Bem. Um Bem
tanto maior, quanto mais mal a nossa Razão as considera.
– Queres tentar dizer onde está o Bem das
Minhas “maldades”?
– Na Tua Cruz. A Cruz foi uma terrível
“maldade” que o Pai fez Contigo!
– E onde está o Bem dessa “maldade” do Meu
Pai?
– Na Salvação do mundo. Há Bem maior?
– E onde achas que pode estar o Bem desta
Minha “maldade” agora para contigo?
– No…
Eu tinha várias coisas para escrever, vários
“Bens”, mas não sabia qual escolhesse. Incompreensivelmente deu-me vontade de
olhar o relógio, à procura de não sei quê, talvez de alguma coisa que me
ajudasse a decidir. Mas eu hesitava, também não sei porquê, talvez porque
achasse isso sintoma de pouca Fé. Então ouvi dentro de mim, de forma muito
intensa, isto: “Olha. Não tenhas medo. Porque não olhas?”. Era esta Voz um
impulso apenas, um impulso de extrema simpatia dentro de mim. Olhei. No relógio
estava esta imagem: 5:55! E sinto neste momento percorrer-me todo um fluxo de
pura Afeição…não sei explicar: é Afeição com maiúscula, é um rio de afecto que
tanto corre do Mestre para mim como de mim para Ele. Deve ser isto – é isto,
diz-me agora o Mestre! – o Espírito Santo, esta doce Torrente que circula e
une!
– Já sabes agora responder qual é o Bem da
Minha “maldade”, Meu querido escrivão?
– Sei cá dentro. Escrever isto que sei é que
me parece difícil.
– E há-de ser-te cada vez mais difícil.
– Bem hajas, meu Senhor. Pela escrita agora
e por quando deixar de escrever.
– Tenta então, agora que ainda é possível,
escrever o que sabes dentro.
– A Tua “maldade” é sempre o puro Encanto:
se acreditarmos em Ti, a Fé torna-se forte, a Esperança vira força invencível,
o Amor sentimo-lo mais forte que a morte. E outra coisa ainda: os que se riem
de nós ficam tão ridículos…
– Que vamos fazer então com o versículo
vinte e oito, que não existe?
– O mesmo que temos feito até agora:
escrevê-lo, não?
– Sim, Meu querido amigo, vamos acrescentar
à Escritura tudo o que for preciso para que os corações se voltem para o Pai.
Que diz o final do capítulo quarto do Génesis?
– “Set também teve um filho, ao qual chamou
Enós. Foi então que se começou a invocar o Nome do Senhor”.
– Não achas que é tempo de o mundo se voltar
de novo para o Pai, invocando o Seu Nome?
– É tempo, sim, Mestre. É tempo de voltar a
ter Fé em toda a Tua Palavra. É tempo de que a Esperança não seja uma palavra
oca. É tempo de que todos os muros se arrombem e o Amor surja no horizonte como
um Sol novo, límpido, saído de trás da espessa névoa que até agora nos
envolveu. É tempo, meu Amor. É o Teu Tempo. Vem. Vem, Filho do Homem, vem sobre
a nuvem, poisa na terra o Teu Pé de Príncipe da Paz e deixa que Te cantemos
como está no Deuteronómio dez, catorze: “Vê: ao Senhor, teu Deus, pertencem os
céus e os céus dos céus, a terra e tudo o que nela se encontra”! Maranatha!
São 6:47.
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