No jardim da casa
Escrevendo ...
Breves dados biográficos

O meu nome é Salomão. De apelido Duarte Morgado.

Nasci no ano de 1940 em Portugal, na aldeia do Rossão, da freguesia de Gosende, do concelho de Castro Daire, do distrito de Viseu.

Doze anos depois, 1952, entrei no seminário menor franciscano: eu queria ser padre franciscano.

Doze anos depois, 1964, fiz votos perpétuos na Ordem dos Frades Menores de S. Francisco de Assis seguidos, ao fim desse ano lectivo, da ordenação sacerdotal: eu era o padre que tanto queria ser.

Doze anos depois, 1976, pedi ao Papa dispensa dos votos que era suposto serem perpétuos e do exercício do sacerdócio, que era suposto ser para sempre, casei e tornei-me pai de quatro filhas.

Doze anos depois, 1988, fiz uma tentativa extrema para salvar o meu casamento, saindo de casa. Mas o divórcio de facto consumou-se.

Doze anos depois, 2000, surgiu na minha vida o mais inesperado acontecimento, que começou a ser preparado, sem que eu disso tivesse consciência, no meio deste ciclo, 1994. Foi aqui que comecei a escrever a longa Mensagem que senti Deus pedir-me que escrevesse em Seu Nome e a que Ele próprio deu o título de Diálogos do Homem com o seu Deus no Tempo Novo. Os textos agora aqui publicados são excertos desta vasta Profecia preparando a sua divulgação integral, no tempo oportuno, que desconheço.


Moro há 30 anos em Leça do Balio, concelho de Matosinhos, distrito do Porto.


Não são estas palavras mais do que um testemunho daquilo que vi, ouvi, senti, toquei. Não estão por isso sujeitas a nenhuma polémica. Todos os comentários que se façam, ou pedidos que se queiram ver satisfeitos, sempre serão respondidos apenas com novos textos: de mim mesmo não tenho respostas.




Observações


Muitos e verdadeiros Profetas têm surgido nos nossos dias. Um deles é Vassula Ryden, cuja profecia, "A Verdadeira Vida em Deus", teve um decisivo relevo no meu chamamento a esta missão e revela uma estreita complementaridade com esta Mensagem que escrevo.

Os algarismos desempenham nesta Profecia um papel muito importante como Sinais. Foram adquirindo progressivamente significados diversos. Assim:

   0 – O Sopro da Vida. O Espírito Santo.

   1 – A Luz. A Unidade. O Pai.

   2 – A Testemunha.

   3 – O Deus Trino. A Diversidade.

   4 – O Mensageiro. O Profeta. O Anúncio. A Evangelização.

   5 – Jesus.

   6 – O Demónio.

   7 – O Sétimo Dia. A Paz. A Harmonia.

   8 – O Oitavo Dia – O Dia da Queda e da Redenção. O Homem caído e redimido. Maria de Nazaré.

   9 – A Plenitude de Deus. A Transcendência. A Perfeição. O Regresso de Jesus. O Nono Dia.

Alguns agrupamentos de algarismos adquiriram também um significado próprio. Os mais claramente definidos são estes:

   10 – Os Dez Mandamentos. A Lei. A Escritura.

   12 – O Povo de Deus. A Igreja.

   22 – As Duas Testemunhas de que fala o Apocalipse.

   25 – A Alma humana.

   27 – Salomão, o meu nome que, derivando do termo hebraico Shalom, significa o Pacífico, a Testemunha da Paz.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

540 — Pai, fala de novo, por Teu Filho, à nossa geração

6/1/95 5:34      MB

                  Act 28, 1-10

   O dedo apontou de forma muito precisa este texto. Há um tremor dentro de mim, feito de uma esperança muito viva, eu quase diria uma certeza: Jesus vai curar o Gaspar! É que o texto refere vários milagres operados através de Paulo. Já ontem o texto que o Senhor me deu era de Paulo e afirmava, preto no branco, que Jesus vence a morte! Não pode ser acaso! Há uma alegria estranha dentro de mim: o Gaspar foi curado, o Gaspar vai ficar bom!

   E se não ficar? anda dentro de mim esta interrogação. Se não ficar, qual é o problema? É porque a Vontade do Pai é que ele morra[1]. E eu continuarei acreditando firmemente que o nosso Jesus pode tudo e que o defeito está sempre em mim. Que se passaria com os apóstolos, por quem se operavam curas na Igreja primitiva? Que sentiria Paulo? Quando, como refere o texto, as pessoas verificaram que a víbora enroscada no seu braço, o não mordeu, “mudaram de opinião e começaram a dizer que ele era um deus”. O que se sente num caso destes? Como é possível não sentir vaidade, quando as pessoas assim nos rodeiam e admiram? Só pode ser pela consciência de que, como Paulo testemunhou, “já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim”!

   Não estou aqui, eu, certamente. Senão nem sequer me preocupava com estas coisas. Só aí chegarei quando tiver a simplicidade das crianças que vêem as coisas acontecer e não as atribuem a si próprias: é a “magia” de que se sentem rodeadas que as faz aparecer.

  Hoje é o dia dos Reis Magos e acordei a pensar nisso. Preguiçosamente, mantive-me na cama e foi com dificuldade que ajoelhei, apesar de ter dormido, desta vez, seis horas seguidas. Nestas ocasiões penso que estou a ficar preguiçoso e me está faltando a alegria e a prontidão doutros tempos. Mas há em mim sempre também uma confiança em que Deus, não sendo mesquinho, nem ligará a isto, e me continuará a moldar, sem desfalecer, até à completa restauração da Sua Imagem em mim. Por isso me apetece dizer-Lhe agora esta oração:

   Deus Pai Omnipotente e Bom, eu creio que Tu me amas muito, muito, acima de toda a compreensão humana. Olha, por isso, cá para baixo, para o reboliço em que vivemos e tem pena de nós. Ofendemos-Te muito, é certo, mas também é certo que nascemos já aqui neste monturo e nos é muito difícil olhar o Céu que Tu queres semear na Terra através do Teu Filho, Jesus, nosso Irmão querido. Fala, por isso, de novo, por Teu Filho, à nossa geração, como falaste no tempo em que o Teu Verbo viveu entre nós incarnado e, porventura mais ainda, no tempo da Igreja Primitiva. Envia-nos outra vez  Jesus com os Sinais e o Poder que os primitivos cristãos testemunharam. O nosso mundo precisa muito do Teu Filho, fruto da nossa Carne por incompreensível Amor Teu, outra vez vivo e forte entre nós, pela acção misteriosa do Teu Espírito. Que o Consolador encharque de novo a Terra, ainda que para isso tenha que vir como Tempestade que derrube tudo aquilo que é obra das nossas mãos pecadoras. Pai, venha a nós, enfim, o Teu Reino. Pai, seja feita a Tua Vontade na Terra exactamente como ela é feita no Céu! E não nos deixes, querido Pai, cair nas garras do Tentador, que tantos estragos tem feito. Amen.



[1] O Gaspar viria a morrer, efectivamente, passados uns três meses, na manhã do Domingo de Páscoa! Vi sempre neste facto um Sinal de que Jesus me tinha ouvido: o Gaspar está entre os vivos!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

539 — Não tenho coragem

5/1/95 2:38     MB

   Foi àquela hora que olhei o relógio, mas o sono não me deixou levantar logo. Devo ter ajoelhado às 2:45, sete minutos em que me debati com o sono e com o chamamento do Senhor, que me havia dito ontem: “Esta noite quero falar contigo”. E foi nesta expectativa que abri o Livro.

                       II Rs 9

   O dedo apontava o v. 26, que precisa de ser contextualizado e só se entende no conjunto do capítulo. Li, pois, todo o cap. 9, mas não pude deixar de me fixar no que, no fim do capítulo, acontece a Jezabel, que o v. 22 diz praticar “a prostituição e a magia”. E interrogo-me: porquê mais uma vez uma mulher? […] Mas neste momento dentro de mim anda isto:

   Na Lei antiga era assim que se fazia; a Nova Lei é a Lei do Perdão e da  Graça!

   Meu Jesus – gemo – eu creio em Ti, mas tudo isto é tão estranho…

   A fé que quero de ti também é estranha: quero-a muito forte.

   Que se faça em mim a Tua Vontade, Senhor. Aumenta e robustece a minha fé!

   São 3:41. Vou deitar-me sem ver, mas acreditando.



   Na confeitaria. Regressei há pouco do hospital, onde estive com o Gaspar. Estava lá muita gente. Todos olhando sem saber o que dizer. Era o que a mim me acontecia também. Então resolvi-me:

   Olha, Gaspar, não tenho palavras, não tenho nada que possa fazer. Mas o que tenho, isso te dou:

   Coloquei-lhe a mão sobre o peito e ele agarrou a minha mão. Eu continuei:

   Jesus, Tu podes tudo. Se for da Tua Vontade, cura o Gaspar, que a gente precisa muito dele.

   E vim-me embora. Estive, ao todo, dez minutos? Talvez nem tanto. Pelo caminho de regresso, a sensação era contraditória: eu acredito que Jesus pode curá-lo, se quiser. Nisto acredito do fundo do coração. Mas acho que tenho muito pouca fé. Ter fé, neste caso, seria dizer como Pedro: “Não tenho oiro nem prata, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda”. E eu não tenho coragem, não me sinto capaz, parece-me que seria grande presunção dizer como Pedro. Não sinto dentro de mim que o possa ou deva fazer. Pedro deveria sentir dentro de si a certeza de que o paralítico iria ser curado. Por outro lado, também por aqui andava misturado o medo da vaidade: estava lá muita gente; se o Gaspar ficasse curado, as pessoas certamente atribuiriam isso à minha intervenção! Tenho um medo tremendo da vaidade. E pedi ao Senhor que não olhasse à minha vaidade mas só à Sua Glória, fazendo o prodígio: seria, de facto, um espectacular milagre, porque o cancro está em fase terminal. Vou abrir de novo a Bíblia à procura de qualquer palavra de Jesus que responda a esta minha situação interior. São 18:02 (ou 03, esqueci-me de confirmar). O dedo apontou entre duas colunas do cap. 15 da I Carta aos Coríntios. Na da esquerda estava: “O último inimigo a ser destruído será a morte” (v. 26); do outro lado o dedo apontava o fim do v. 40, por isso penso que a mensagem está no v. 26. O v. 40 diz assim: “Há corpos celestes e corpos terrestres, mas um é o esplendor dos corpos celestes e outro o dos corpos terrestres”. A parte sublinhada é aquela que o dedo apontava. Não tenho a certeza do que Jesus me quer dizer. Mas rezo:

   Sabemos, Jesus, que o esplendor dos corpos terrestres é muito débil, nada é, em comparação com o esplendor dos corpos celestes. Mas mesmo assim  é no corpo terrestre que aqui vivemos e até este corpo decaído manifesta a Tua Sabedoria e a Tua Glória. Revela, por isso, mais uma vez, o Teu Poder e a Tua Graça, curando o frágil corpo do Gaspar! Que a morte seja mais uma vez destruída, agora diante dos nossos olhos, como o foi quando viveste incarnado no meio de nós. Como os homens daquele tempo, também nós precisamos de uma ajuda Tua, precisamos dos Teus Sinais para acreditarmos! Nós somos assim, Senhor! Tem pena de nós, que vivemos num mundo difícil, racionalista, incrédulo, apóstata, e ajuda-nos a ver-Te  de novo, para que Te possamos descobrir outra vez como Amor!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

538 — Jesus não planeou; executou o Plano do Pai

4/1/95 – 4:40      MB

                  Mt 19-25

    Intrigante, tudo! Os algarismos dizem-me que anuncie, que evangelize, pela força do Espírito. Mas que mensagem devo levar? A quem? Eu penso sempre nos “Diálogos”. Penso às vezes que anunciar é neste caso continuar a escrever e é o que neste momento se me realça cá dentro, já que eu abandonei os Diálogos depois da carta do M. O., porque tenho medo de, como o M. O. diz, me estar a escrever a mim só. Penso hoje também que Jesus me está mandando evangelizar o próprio M. O., uma vez que logo à tarde vou receber dele os Diálogos que ele condenou.

   Mas mais intrigante ainda, porque inesperada, é a leitura que Jesus me deu a ler: José pensa deixar Maria por ela se encontrar grávida… não sabia ele de Quem, mas aceita-a, depois do esclarecimento do anjo. E não posso deixar de relacionar este texto com o episódio da mulher adúltera que Jesus me deu a ler recentemente. E pergunto: … tenho medo de fazer a pergunta directa… tenho medo de que não haja resposta ou de que a resposta seja minha… Mas algo me diz que a faça e aceite tudo o que vier:

   Que me queres dizer, Jesus?

   Que tudo quanto te digo é Verdade .

   Sim, Jesus, mas neste caso… qual é a verdade? [Aqui Jesus, com base num caso concreto, esclarece: “Toda a infidelidade é sempre contra Mim, não importa com quem”. Por isso, mesmo em caso de adultério, se deve perdoar sempre.]

   São 5:47. Não eufórico mas tranquilo, vou-me deitar.

          15:15                                                                                                                 MV

    Na bouça. E pus-me a escrever, porque olhei aqueles algarismos no relógio, senão continuava a fazer o meu sermão ao M. O., que foi o que eu estive a fazer até agora, desde que aqui cheguei! Já por várias vezes me ocorreu que me vai acontecer o que sempre me sucede quando, logo às 5 horas, me encontrar com ele: vai correr tudo diferente, talvez até ao contrário do que eu para aqui estive a imaginar. Ocorre-me sempre, nestes casos, a advertência de Jesus: “Quando estiverdes perante os tribunais, não penseis  no que haveis de dizer: O Espírito vos dirá na altura…” estou a citar de cor, mas é mais ou menos isto. Seja como for, o sentido é claramente este: não confieis em vós; confiai inteiramente em Deus! Isto é: se eu me aproximo do M. O. apetrechado com o bloco dos meus argumentos, do meu esquema bem elaborado, bem estruturado, e supondo que eu acabo por fazer o que imaginei, duas coisas podem acontecer: ou eu atiro-lhe com o bloco à cabeça e mato-o, ou pelo menos humilho-o (que é isso que se calhar eu desejo), ou ele desvia-se a tempo, com um golpe de perícia, e dá-me o “golpe de misericórdia”, já que à primeira não morri. Em qualquer acção à margem de Deus, o resultado é sempre este: morte por orgulho ou morte por humilhação.

   Mas acho que foram os algarismos que me fizeram tirar esta conclusão. Eles estão dizendo: O Pai e o Filho! O Pai e o Filho! Duas vezes igualzinho. É esta a Presença que neste momento me abre o coração: O Filho que veio para fazer a Vontade do Pai! Jesus não planeou; Jesus executou o Plano do Pai. Creio, no entanto, que todo este imaginado sermão ao M. O. foi bom. Serviu para me clarificar a mim sobre a “Teologia da Libertação”[1], que o M. O. segue.


[1] A “Teologia da Libertação” atribui ao homem um protagonismo que ele não pode ter: o homem precisa de ser resgatado, comprado e depois reconstruído. E isto só Deus o pode fazer.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

537 — Ouvir Jesus nos Profetas actuais

                15:48

    Na bouça. Não sei se a grande dor passou, mas neste momento sinto-me feliz. Acabo de falar longamente com o meu Senhor, que me fez avançar mais um pouco (ou um muito?) nos Seus Ensinamentos – ou Descobertas, como é mais próprio da Sua Pedagogia. Depois li na Vassula o dia 20/4/88 e tudo parece – e é! – dito para mim. Registo algumas passagens:

   “Desejo que tu me distingas completamente. Distingue-Me” e aqui renovei o meu insistente pedido para que me deixe vê-Lo e ouvi-Lo mais claramente.

     “Crê somente, sê simples, sê como uma criancinha. Amo-te” e isto responde às minhas dúvidas dos últimos dias, à minha solidão e à minha dor.

     “… posso renovar a Minha Igreja inteiramente só, basto-Me a Mim mesmo, sou Omnipotente. Tudo aquilo que te peço é Amor” e isto responde à minha preocupação sobre o modo  de fazer passar estas Suas mensagens a outros, como creio que Ele me está insistentemente pedindo ou pelo menos avisando.

    “Salomão (eu mudo sempre o nome), como é possível que a vossa era não reconheça nunca os Meus Sinais? Terei, porventura, Eu dito alguma vez que não mais Me revelaria e não mais vos enviaria os Meus Sinais? (…) Eu sou o Senhor dos Senhores, o Deus Vivo. Por que razão Me quereis silencioso? Por que Me quereis morto?” e estas palavras dão-me ânimo para continuar escrevendo: Jesus está vivo e quer revelar-Se em mim, pelo menos pode querer revelar-Se através de mim e eu não o posso impedir.

    “Amo-te infinitamente e não quero que os espinhos, à nossa passagem, te piquem, te trespassem, ferindo-te de morte! Eu sei: basta apenas que se aproximem, para que te deixem numa angústia total (…) Mas nenhum desses sacrifícios, bem-amado, é inútil. Ah! Como amo a tua alma! Quem Me procurar, ENCONTRAR-ME-Á; batei e ABRIREI. Vinde, recordar-vos-ei a Minha Presença” e isto não podia retratar mais exactamente a minha situação interior.

   Por isso é muito sinceramente que rezo assim:

   Jesus gosto muito de Ti.

domingo, 18 de setembro de 2011

536 — Eu ouço só pela Fé

3/1/95 4:19                                                                                                                    MB

   Estranho a “coincidência” do 19, o mesmo 19 de ontem, e agora 4 em vez de 0. Abro o Livro:

                  Lc 9, 51-56

    Que eu nunca condene aqueles que me rejeitarem! – é esta a mensagem do texto que Jesus me deu a ler, segundo a minha interpretação. Talvez mais precisamente: devo retirar do coração todo o impulso de vingança, que outra coisa não é a condenação. A mim compete-me amar; condenar é exclusivamente com Deus! Mas … como é? O cristão deve ser mosca-morta? Julgo que não: deve dizer a verdade com energia, mas sem rancor, com determinação, mas com doçura. O sentimento que o meu inimigo deverá perceber em mim deve ser sempre amor. O que é difícil: já andei remoendo a resposta ao M. O. e desconfio de que, tal qual eu a preparei, é mais vingança que amor.

   Purifica o meu amor, Jesus! Faz de mim um instrumento da Tua Ira e da Tua Justiça se Te apraz, mas que, tanto uma como outra, sejam expressão do Teu Amor! Eu quero é ser instrumento da Tua Paz! Ensina-me a amar! Se possível como Tu amas! Sempre na totalidade de quanto o meu ser puder comportar! Eu quero ser amor só. Sem mistura. Estou agora vendo: amar-Te a Ti é fácil: Tu és abstracto[1] e bom! Mas os homens, com os seus defeitos e maldades! Com a sua presença concreta reagindo no momento, agredindo no momento! Vem ensinar-me como se amam todos os homens sem excepção e sem mistura! Só um coração enorme pode amar assim: dá-me um coração enorme! Vem e toma o meu coração, para que ele ame como Tu queres!

   Noto neste momento que estou elaborando a minha oração, de modo a não dizer asneiras “teológicas” e assim não chocar os eventuais leitores!

   Jesus, como se faz para tirar isto daqui?

   Não faças nada: deixa-Me fazer a Mim.

   “Deixar” o que é?

   Apenas pedir e acreditar.

   Aumenta a minha fé.

   Estou aumentando.

   Fortalece a minha fé.

   Estou fortalecendo.

   Abandonando-Me assim?

   Não me abandonou o meu Pai também assim?

   Mas Tu eras inocente!

   Não me vem resposta nenhuma de Jesus. Fico eu só, dominado pela minha impotência. Nenhuma luz. À minha volta só os trambolhos das minhas deficiências, da minha vaidade, da minha ambição. Apenas dentro de mim uma teimosa fé ou esperança ou paciência… não sei como lhe chamar… uma planta mirrada, mas resistindo na sua aridez, na sua solidão, sem sol, sem água, apenas esperando, esperando sempre, agarrada com força à terra, donde lhe vem o fio de seiva que a mantém viva.

   Jesus, desta vez, deu-me mesmo aquilo que me prometeu: deixar-me participar na Sua Paixão. São 5:33. Até dos algarismos desconfio agora, os algarismos com que Jesus tantos sinais me fez! Foram precisamente aqueles algarismos que no início me acordaram para a realidade da Presença de Deus em mim! O 5, o Sinal do meu Jesus crucificado e glorificado e o 3, Sinal da Presença, aqui, em mim, na Terra, do Deus Trino! Vou deitar-me apenas com a Paz daquela planta que espera e sabe que, se não for da terra onde se agarra, de mais lado nenhum lhe virá a seiva vivificadora.

MV

   Na confeitaria. Quando dei por mim, tinha a VVD aberta  na pág. 254 (Roma, 9/8/88). E neste preciso momento, ao escrever a data, não pude deixar de reparar que a Vassula está em Roma! Mas a minha atenção prendeu-se, ao baixar os olhos sobre o livro, nas palavras escritas naquela página: “Meu filho, honra o teu Deus e trava a justa batalha; repara o mal com o bem… Escolhi-te entre aqueles que repararão o mal com o amor”. É certo que estas palavras são dirigidas ao P. James mas, tal como as Palavras da Bíblia, elas valem por si, independentemente daqueles a quem foram dirigidas: uma vez pronunciadas, elas são universais. Não sei quem me ensinou isto, mas sei que é assim. A Palavra de Deus, uma vez incarnada, torna-se linguagem universal, para toda a humanidade, para todos os tempos. Não se refere mais a tal ou tal Profeta determinado, a tal ou a tal rei específico, a tal ou a tal povo concreto, a tal ou a tal pessoa individualizada: é aplicável hoje, com a mesma concretude (saiu-me assim a palavra e assim fica), àquele ou àqueles que, de coração puro, andarem à escuta das Palavras do Senhor, desejarem ardentemente ouvir a Voz do seu Deus. Como fez Francisco de Assis. Como faz a Vassula. E eu acredito que também para mim são todas as palavras que procuro de coração sincero e que elas são, em cada momento, aquelas que o dedo aponta, que o olhar fixa. Por mais

estranhas que nos pareçam. No momento,  muitas vezes, nada entendo, parecem-me nada ter a ver comigo, afiguram-se-me totalmente despropositadas. Mesmo assim, elas produzirão o seu efeito, exactamente o efeito que está na Vontade do Senhor. Outras vezes sucede que, no momento sem sentido, adquirem pouco depois, progressivamente ou não raro instantaneamente, pleno significado! Dir-se-á que se trata de interpretação subjectiva. É evidente que se trata de interpretação puramente subjectiva! Pois se é para o sujeito, para cada sujeito em cada momento que Deus está falando! A interpretação subjectiva é exactamente aquela que constitui, para cada filho, a Palavra de seu Pai para si próprio, aquela que o Pai lhe está dando como Dom intransmissível, inalienável, especialmente descido do Céu para si próprio. Se Deus fizer dele depois Seu arauto, como proclamava S. Francisco, tratar-se-á então de novo Dom, que consistirá em ser veículo do Dom de Deus para quem Lhe aprouver, de modo que se alguém por este meio for objecto de qualquer Graça, Ela será Dom, não do veículo, mas de Deus!

   É o que acontece, por exemplo, com a Vassula: a Palavra que ela escreve não se dirige a ela (a não ser que Jesus isso diga expressamente), não se dirige ao P. James, mas a todo aquele que A ouve de coração ansioso. Ora, aquilo que nesta leitura ouvi(e que me deu nas vistas de forma estranha, já que eu não vou naquela página na leitura que faço seguida) está intimamente relacionado com a leitura bíblica feita esta madrugada(v. marca): Jesus repreende os apóstolos, por eles se quererem vingar da povoação samaritana que O não quis receber (Lc. 9, 51-55). Amar quem nos faz mal – é esta a grande mensagem do meu Senhor para mim, hoje! Até agora! – acrescento eu, rápido, porque nunca se sabe!

   Mas passei os olhos pelo que vem a seguir e a minha atenção prendeu-se nesta afirmação da Mãe: “Deus conta os dias, os dias em que Ele fará cair sobre vós o Seu Orvalho, vivificando-vos em Novo e Fecundo Jardim. Isto será conhecido como o Novo Pentecostes”.

   Por que é que, subjectivamente, eu me fui fixar naquela frase em especial e não tanto noutras, também certamente importantes? Porque é aquilo que Deus me quer dizer especificamente a mim e não à Vassula ou ao P. James! E porquê isto? Porque há uma intencionalidade de Deus a meu respeito: Ele está-me formando com a Sua Prudência e com a Sua Sabedoria e neste momento é isto que Ele quer que eu fixe! Ele é o meu único Mestre!

   Mas também por sinais “mudos” Ele fala.

   A mim, por exemplo, através de algarismos. Mas como cheguei eu à conclusão de que os algarismos são Sinais de Deus? Pelo contexto: os algarismos do relógio – subjectivamente, é claro! – chamaram-me a atenção, de forma insistente, progressiva, num “clima” de presença “natural” de Deus! E digo presença natural, porque, por natureza, Deus está presente sempre que O invocamos de coração sincero e O desejamos com verdadeira sede, como o veado sequioso deseja a torrente da água. E aqui eu não tenho dúvidas: eu invocava o meu Senhor de coração sincero e desejava ardentemente estar com Ele. Como ainda hoje desejo. Cada vez mais. Talvez mais ainda  quando me sinto abandonado, como é o caso destes dias, especialmente de ontem em que, estando eu a fazer o jantar, abandonei por momentos os tachos e me escapuli para o quarto, a ver se encontrava, na Palavra do meu Jesus, alívio para a minha dor!

   Contexto é isto: eu creio que, se procurar o Senhor,  Ele já está presente e me assiste. Tudo o que neste contexto me chame a atenção, me surpreenda a mente, o coração ou os sentidos de forma clara ou insistente, é Sinal, é Voz de Deus! Por isso os “Diálogos” são… hesito, mas sei que devo escrever: autênticos, isto é, não contêm erros e por si não induzem em erro ninguém que os leia. Mas os “Diálogos” e estes textos das marcas têm ainda uma outra característica muito própria: excluindo aqueles primeiros textos em que a minha mão era movida por uma força estranha à minha vontade, nunca os meus sentidos biológicos foram chamados a intervir no meu contacto com Deus. Eu não ouço nada com os ouvidos físicos, eu não vejo nada com os olhos da cara, nunca mais a minha mão se moveu contrariando a minha vontade, isto é, o seu normal comportamento quando escrevo. Eu ouço só pela fé! Sem ver nada de forma nítida, sem ouvir nada de forma clara, como creio que é o caso da Vassula, as palavras vêem-me, aparecem-me, as que atribuo a mim e as que atribuo a Jesus, e acredito que Jesus quer que escreva assim, porque Ele me ama e eu quero amá-Lo muito, sobre todas as coisas. E sinto que Ele me abençoa: “Bem-aventurados os que não viram nem ouviram, e creram”.


[1] Abstracto, aqui, significa apenas invisível aos olhos físicos. Na verdade, Jesus não tem nada de abstracto, mas sempre Se me revela como autêntica Pessoa, perfeitamente individualizada e concreta.