– 9:42
O 4 e o 2 juntos intensificam a ideia de anúncio. Trata-se de um anúncio que ultrapassa as palavras e se estende ao testemunho de toda uma vida: das escolhas, das atitudes, dos gestos, da simples expressão do rosto. Neste preciso momento ouço: Todo o teu ser deve dar testemunho como os céus, que proclamam a glória de Deus: como o firmamento, que anuncia as obras das Suas Mãos! (cfr. v.1). Assim claro. Assim sem mancha!
Olhei de novo o relógio, sem motivo algum, a não ser porque o meu Companheiro quis: 9:55. E o que Ele me sugeriu, com base naqueles algarismos, foi isto: Ele próprio é o perfeito Testemunho Humano da glória de Deus (expressa no 9). Humano porquê? Por causa do 5: nada exprimiu tão bem a Humanidade do nosso Deus como as Cinco Chagas que para sempre Lhe ficaram gravadas no corpo. Foi com elas, com esta marca indelével que testemunhou perante o incrédulo Tomé a Sua Realidade Humana. Por isso me estabeleceu Ele o 5 como Sinal de Si próprio, de que é indissociável o Corpo, a característica específica da Segunda Pessoa da Trindade. Por isso Ele, que é desde toda a eternidade Verbo, isto é, Capacidade Comunicadora de Deus ad extra e ad intra, tornou-Se no momento da Criação Voz e ao incarnar tornou-Se linguagem: não falou, apenas; nas escolhas, nas atitudes, nos gestos, nas expressões do rosto Ele foi Perfeita Testemunha da Glória e do Amor do Pai! É este radical testemunho que Paulo registou na conhecida afirmação: “Cristo fez-se por nós obediente até à morte e morte de cruz”! Não, não foi morte natural, nem morte por acidente: Jesus foi assassinado como malfeitor. É isto que quer dizer “morte de cruz”! Há mais um aspecto ainda que importa realçar: a “morte de cruz” remete para malfeitor público. Confrontado com Barrabás, malfeitor célebre, portanto, público, Jesus foi considerado malfeitor tão grande, tão perigoso para todo o povo, que Barrabás foi à vista de Jesus considerado inocente.
Jesus deu do Amor do Pai um testemunho tão eloquente, tão altifalante, tão público, como da Glória de Deus dão testemunho os céus, o firmamento inteiro! “Um dia transmite ao outro a palavra; uma noite à outra noite dá a notícia”. Não, não. “Não são ditos nem discursos de que não se perceba a voz: por toda a terra caminha o seu eco, até aos confins do universo a sua palavra”, tão claro, tão radical é este Testemunho!
Porque me conduziu Jesus para aqui, para esta interpretação deste Salmo? Nitidamente porque sim, porque quis. Como sei eu isso? Pelos Sinais que me forneceu: 4-2 e 5-5. À imagem do meu Mestre, também eu tenho que ser uma radical testemunha do radical Amor de Deus. Porque fala o Salmo, a seguir ao testemunho dos “céus”, da “lei”, dos “testemunhos”, dos “mandamentos”, dos “preceitos”, do “temor”, dos “juízos” do Senhor? Justamente porque a Voz da Criação se tornou Voz audível pelo coração do homem, ao fazer-se lei, testemunho, mandamento, preceito, temor, juízo do Senhor, a que se apõem os atributos de aprazível, fiel, recto, puro, verdadeiro, equitativo. Por isso observá-los reconforta o espírito, torna sábio o homem simples, deleita o coração, ilumina os olhos. E finalmente se diz que tudo isto, se for comido, é mais doce que o mel (cfr. vs. 8-11). Lido com olhos de Novo Testamento, este Salmo, depois de falar do testemunho dos “céus”, fala do testemunho da Voz incarnada de Deus, Jesus. Observar tudo aquilo é agora mais simples: é seguir Jesus. Seguindo-Lhe o estranho caminho, viramos Testemunhas Suas “até aos confins do universo”.
Mas é aqui que se situa uma oração minha várias vezes repetida, mas ainda ontem apresentada ao Senhor de forma mais veemente. Está aqui, chapadinha: “Quem poderá discernir todos os erros? Purifica-me das faltas escondidas”! Podia acrescentar aqui a oração inicial: Dá-me a Tua Paz, Jesus! Não é sossego, não é parança, não é comodidade o que eu estou pedindo; são decisões, são atitudes, são gestos, são expressões de rosto que correspondam com inteira precisão à Vontade d’Aquele a Quem eu me entreguei para ser refeito. Ora enquanto Ele nos não libertar inteiramente do homem velho, são duras e contraditórias as forças que nos acompanham no nosso caminhar. Então, porque nos sentimos imperfeitos e impotentes, paramos muitas vezes neste nosso caminhar e perguntamos no Silêncio: Onde está o meu erro? Onde está a minha culpa? Em resposta, apenas, esta sensação de disformidade. Então só nos resta, como ao salmista, admitir que há em nós “faltas ocultas” e pedir ao Senhor que as lave, embora delas não tenhamos consciência.
Ter consciência das nossas faltas é também um Dom de Deus!
E reparo, surpreendido, como neste contexto o salmista refere a soberba. Eu chamo-lhe ambição e vaidade e também eu a considero o grande perigo nesta caminhada. É, pois, também a minha a oração do salmista: “Preserva também o Teu servo da soberba, que ela não domine sobre mim. Então serei perfeito e absolvido das grandes faltas”.
É pelo caminho contrário ao do mundo que atingimos a perfeição. A este caminho chama-se Humildade. A Humildade lava. Ela é, na nossa vida, a Cruz do Senhor que destruiu a morte e tirou os pecados do mundo. É a Humildade que nos absolve.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
452 — Discernir entre a voz de Deus e a do Diabo
17/7/95 – 5:00
– Jesus, dá-me a Tua Paz!
Já ontem, sem querer, me achei rezando assim. E esta oração surgiu-me, porque ao meu espírito vieram várias coisas em monte, sem que eu atinasse em qual delas me deveria fixar. Depois ouvi, com maior nitidez, “Salmo 19”! Só que a voz, quando o meu ouvido se quis apurar, não me pareceu – não era certamente! – a de Jesus. Porquê? Porque o Demónio não consegue ser bom: a sua voz não é serena. A Voz de Deus, mesmo quando vem do Seu Coração irado, é uma Voz tranquila. Veemente, mas harmoniosa. A voz do Diabo não tem classe: é insegura, irregular, artificial. Tem sempre, no timbre, algo de desagradável: ora é estridente, ora é de um cavernoso forçado; ora é cínica, ora é delambida; ora é aduladora, ora é achincalhante. Mas como distingo eu tão bem a Voz das outras vozes, se ando sempre a dizer que nada ouço? Não sei. Acho que é pelo sentir. Há um lugar dentro de mim que sente como… como um aparelho receptor de sinais rádio… Emprego esta desajeitada comparação, porque me parece que pode levar também à noção de interferência. É que o Diabo consegue interferir e distorcer a comunicação, não sei porquê, não sei como. No caso de hoje, por exemplo, pareceu-me ouvir “Salmo 19!”, com a Voz de Deus. Mas logo a seguir, ouvi as mesmas palavras, repetidas em tons vários, desagradáveis por um motivo ou por outro. Tentei já decidir este caso e pus-me à escuta: era, desta vez, a Voz de Deus, serena, redonda, amiga. Mas Satanás não me larga hoje e volta a meter bedelho. Por isso peço ao Pai a Paz necessária para que só o Espírito reze em mim, para que decorra serena a aula do meu Mestre Jesus, conforme indicavam os algarismos iniciais. Vou, pois, destacar:
Sl 19 (18)
É como se esta noite no Deserto Jesus me pedisse que olhasse as estrelas: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas Mãos”! Não sei ainda que coisas escondidas o meu Guia me está querendo desvendar para lá das estrelas: a letra do salmo percebo-a eu toda muito bem, mas a Mensagem que se destina ao coração está sempre para lá da letra.
São 6:33.
– Jesus, dá-me a Tua Paz!
Já ontem, sem querer, me achei rezando assim. E esta oração surgiu-me, porque ao meu espírito vieram várias coisas em monte, sem que eu atinasse em qual delas me deveria fixar. Depois ouvi, com maior nitidez, “Salmo 19”! Só que a voz, quando o meu ouvido se quis apurar, não me pareceu – não era certamente! – a de Jesus. Porquê? Porque o Demónio não consegue ser bom: a sua voz não é serena. A Voz de Deus, mesmo quando vem do Seu Coração irado, é uma Voz tranquila. Veemente, mas harmoniosa. A voz do Diabo não tem classe: é insegura, irregular, artificial. Tem sempre, no timbre, algo de desagradável: ora é estridente, ora é de um cavernoso forçado; ora é cínica, ora é delambida; ora é aduladora, ora é achincalhante. Mas como distingo eu tão bem a Voz das outras vozes, se ando sempre a dizer que nada ouço? Não sei. Acho que é pelo sentir. Há um lugar dentro de mim que sente como… como um aparelho receptor de sinais rádio… Emprego esta desajeitada comparação, porque me parece que pode levar também à noção de interferência. É que o Diabo consegue interferir e distorcer a comunicação, não sei porquê, não sei como. No caso de hoje, por exemplo, pareceu-me ouvir “Salmo 19!”, com a Voz de Deus. Mas logo a seguir, ouvi as mesmas palavras, repetidas em tons vários, desagradáveis por um motivo ou por outro. Tentei já decidir este caso e pus-me à escuta: era, desta vez, a Voz de Deus, serena, redonda, amiga. Mas Satanás não me larga hoje e volta a meter bedelho. Por isso peço ao Pai a Paz necessária para que só o Espírito reze em mim, para que decorra serena a aula do meu Mestre Jesus, conforme indicavam os algarismos iniciais. Vou, pois, destacar:
Sl 19 (18)
É como se esta noite no Deserto Jesus me pedisse que olhasse as estrelas: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas Mãos”! Não sei ainda que coisas escondidas o meu Guia me está querendo desvendar para lá das estrelas: a letra do salmo percebo-a eu toda muito bem, mas a Mensagem que se destina ao coração está sempre para lá da letra.
São 6:33.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
451 — É um Dom o tempo de andar, como o de parar
– 10:08
O 8, embora signifique, para mim, uma realidade complexa, sempre que aparece remete-me para a Mãe de Deus, como Protótipo de criatura redimida. Mas há uns dias largos que Ela me não ocupa o coração com o Seu encanto. Ainda hoje de madrugada me lembrei d’Ela e pedi-Lhe, como sempre faço desde o encontro com a Vassula, que tome conta da minha família. Mas foi de fugida que falei com Ela. Com total confiança, como sempre desde que A conheci, mas de coração árido, em estado de Deserto. Conversar com Ela longamente, de coração encantado, como já me aconteceu, isso há tempos que não acontece.
Mas diz-me a Mensagem de hoje que devo ficar tranquilo: que receba como o melhor dos alimentos o maná que em cada momento o Senhor me der. Que não force e espere. Afinal o abandono completo nas Mãos do Senhor não aconteceu ainda em mim. Ontem, na minha oração, agradeci-Lhe em primeiro lugar logo o Deserto. Hoje o Senhor veio dizer-me que não basta saber que o Deserto é um enorme Dom Seu; é preciso senti-lo como Dom. É preciso que também com este Dom a alma exulte no Senhor e aclame o rochedo da sua salvação. Não basta agradecer-Lhe a saída do Egipto; é preciso agradecer-Lhe do mesmo modo todo o tempo de Deserto, todo o caminho que for preciso andar, todo o tempo que for preciso parar, até que venha o tempo oportuno para a entrada decisiva na Terra da Sua Promessa. É preciso confiar inteiramente no Senhor como “um Deus grande, Rei poderoso maior que todos os deuses”; é preciso abandonar-se totalmente à Sua Sabedoria e ao Seu poder; é preciso crer que Ele é o Amor! Importa não “provocar”, não “pôr à prova” nunca o nosso Deus, como fizeram os nosso pais “em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”, a ponto de O levarem a “jurar” na Sua “ira”: “Não entrarão no lugar do Meu repouso!”.
É admirável este Jesus!: o Salmo 95, que na altura me pareceu despropositado, sem relação nenhuma com a minha situação do momento, provocador até, relativamente à frieza do meu coração, tornou-se autêntico maná neste meu Deserto! É nitidamente a continuação e o aprofundamento da aula de ontem. Este Mestre é de tal ordem, que não Lhe encontro a mais pequenina imperfeição a dar aulas. Sucede até que, justamente aquilo que parece mais estranho, vira a mais surpreendente descoberta, a mais evidente Verdade!
Por isso, porque tanto gosto de estar nestas aulas, nem me apetece ir à Missa! Mas, se for Vontade d’Ele que eu vá, também a Missa se tornará Surpresa pura!
Sinto que devo ir
– 20:16
Fui hoje de tarde dar um passeio de bicicleta, a ver as obras da Ponte do Freixo e respectivos acessos. Senti que Jesus quis que fosse e para lá me guiou. Eu dizia: Vê, Mestre, que grandiosas construções! E Ele respondia-me: Em verdade te digo: não ficará pedra sobre pedra!
O 8, embora signifique, para mim, uma realidade complexa, sempre que aparece remete-me para a Mãe de Deus, como Protótipo de criatura redimida. Mas há uns dias largos que Ela me não ocupa o coração com o Seu encanto. Ainda hoje de madrugada me lembrei d’Ela e pedi-Lhe, como sempre faço desde o encontro com a Vassula, que tome conta da minha família. Mas foi de fugida que falei com Ela. Com total confiança, como sempre desde que A conheci, mas de coração árido, em estado de Deserto. Conversar com Ela longamente, de coração encantado, como já me aconteceu, isso há tempos que não acontece.
Mas diz-me a Mensagem de hoje que devo ficar tranquilo: que receba como o melhor dos alimentos o maná que em cada momento o Senhor me der. Que não force e espere. Afinal o abandono completo nas Mãos do Senhor não aconteceu ainda em mim. Ontem, na minha oração, agradeci-Lhe em primeiro lugar logo o Deserto. Hoje o Senhor veio dizer-me que não basta saber que o Deserto é um enorme Dom Seu; é preciso senti-lo como Dom. É preciso que também com este Dom a alma exulte no Senhor e aclame o rochedo da sua salvação. Não basta agradecer-Lhe a saída do Egipto; é preciso agradecer-Lhe do mesmo modo todo o tempo de Deserto, todo o caminho que for preciso andar, todo o tempo que for preciso parar, até que venha o tempo oportuno para a entrada decisiva na Terra da Sua Promessa. É preciso confiar inteiramente no Senhor como “um Deus grande, Rei poderoso maior que todos os deuses”; é preciso abandonar-se totalmente à Sua Sabedoria e ao Seu poder; é preciso crer que Ele é o Amor! Importa não “provocar”, não “pôr à prova” nunca o nosso Deus, como fizeram os nosso pais “em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”, a ponto de O levarem a “jurar” na Sua “ira”: “Não entrarão no lugar do Meu repouso!”.
É admirável este Jesus!: o Salmo 95, que na altura me pareceu despropositado, sem relação nenhuma com a minha situação do momento, provocador até, relativamente à frieza do meu coração, tornou-se autêntico maná neste meu Deserto! É nitidamente a continuação e o aprofundamento da aula de ontem. Este Mestre é de tal ordem, que não Lhe encontro a mais pequenina imperfeição a dar aulas. Sucede até que, justamente aquilo que parece mais estranho, vira a mais surpreendente descoberta, a mais evidente Verdade!
Por isso, porque tanto gosto de estar nestas aulas, nem me apetece ir à Missa! Mas, se for Vontade d’Ele que eu vá, também a Missa se tornará Surpresa pura!
Sinto que devo ir
– 20:16
Fui hoje de tarde dar um passeio de bicicleta, a ver as obras da Ponte do Freixo e respectivos acessos. Senti que Jesus quis que fosse e para lá me guiou. Eu dizia: Vê, Mestre, que grandiosas construções! E Ele respondia-me: Em verdade te digo: não ficará pedra sobre pedra!
terça-feira, 21 de junho de 2011
450 — Um salmo exaltante para um coração abatido
16/7/95 – 5:35
Sl 95 (94)
Foi outra vez a falta de assunto que me levou à oração: o Senhor tem, na verdade, engenhosos processos de manifestar o Seu Querer…
Li, mas o meu coração não canta este Salmo. E sei que vai cantá-lo quando o Espírito encharcar por completo as minhas células. Entretanto, que faço, com este vazio? Como o preencho, se não tenho assunto, nem oração para rezar? Leio de novo. Eu acredito no meu Jesus. Eu acredito no Espírito Consolador irrompendo no meu ser. É Ele que reza em nós. Se não for Ele, não há oração. Este Salmo é um apelo a que nos juntemos todos e “exultemos no Senhor, aclamemos o rochedo da nossa salvação”. Não é sequer para se rezar na intimidade de uma cela, mas na praça pública, mais até do que no templo. É o cântico de alguém inflamado que chama muitos outros, todo o povo para ir à presença do Senhor “com hinos de louvor”, para O saudar “com salmos jubilosos”. É clima de festa, de exaltação.
E eu não estou aí. Ninguém que esteja como eu neste momento pode subir a um qualquer monumento no centro da praça e dizer “Vinde”! “Vamos”! “Vamos”! “Vinde”! Não consigo fazer mais nada senão análise textual! E Jesus não me quer fazendo isso: se me deu este Salmo, é para eu o cantar, não para o analisar. Este Salmo não tem nada que explicar, nem sequer é para entender: é para viver e cantar! Então, se mo deu para eu cantar, porque me não põe música no coração? São já 7:02 e veja-se o que até agora do meu coração saiu! Tudo o que escrevo é sentido; se não sinto, não escrevo. Calcule-se, pois, o que eu senti durante hora e meia!
Agora reparo: estou resmungando contra o Senhor que me não fez ainda chegar à Terra Prometida, que me retém neste Deserto tempos sem fim. Então leio de novo e ouço: “Ele é o nosso Deus; nós, o povo do Seu pasto, e ovelhas por Ele conduzidas”! Se estou, pois, a ser conduzido por Ele, se estou nas pastagens a que Ele me trouxe, porque me queixo? Não tenho recebido, em abundância, o maná que gratuitamente me desce todos os dias do Céu? Que tenho eu que protestar, se “O Senhor é um Deus grande, Rei poderoso, maior que todos os deuses” se nada há que Ele não conheça e comande, se “em Suas Mãos estão as profundezas da terra e os cimos das montanhas Lhe pertencem”, se “d’Ele é o mar; foi Ele quem o criou e a terra firme é obra das Suas mãos”, se o fundo e o cimo, o perto e o longe, tudo Lhe pertence? Como posso pensar, eu, mísera criatura, que o meu Pastor me não está dando o melhor pasto que para a minha alma neste momento se pode encontrar sobre a terra? Que melhor quero eu no Deserto, se não há outro caminho, se a Terra que o Senhor me prometeu fica para lá do Deserto, se é, portanto, pelo Deserto que é preciso caminhar? Que mais pode fazer por mim o meu Deus que o não tenha feito? Cuidado!: “Não torneis duros os vossos corações como em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”! – assim fala a Voz do meu Senhor.
São 7:33.
Sl 95 (94)
Foi outra vez a falta de assunto que me levou à oração: o Senhor tem, na verdade, engenhosos processos de manifestar o Seu Querer…
Li, mas o meu coração não canta este Salmo. E sei que vai cantá-lo quando o Espírito encharcar por completo as minhas células. Entretanto, que faço, com este vazio? Como o preencho, se não tenho assunto, nem oração para rezar? Leio de novo. Eu acredito no meu Jesus. Eu acredito no Espírito Consolador irrompendo no meu ser. É Ele que reza em nós. Se não for Ele, não há oração. Este Salmo é um apelo a que nos juntemos todos e “exultemos no Senhor, aclamemos o rochedo da nossa salvação”. Não é sequer para se rezar na intimidade de uma cela, mas na praça pública, mais até do que no templo. É o cântico de alguém inflamado que chama muitos outros, todo o povo para ir à presença do Senhor “com hinos de louvor”, para O saudar “com salmos jubilosos”. É clima de festa, de exaltação.
E eu não estou aí. Ninguém que esteja como eu neste momento pode subir a um qualquer monumento no centro da praça e dizer “Vinde”! “Vamos”! “Vamos”! “Vinde”! Não consigo fazer mais nada senão análise textual! E Jesus não me quer fazendo isso: se me deu este Salmo, é para eu o cantar, não para o analisar. Este Salmo não tem nada que explicar, nem sequer é para entender: é para viver e cantar! Então, se mo deu para eu cantar, porque me não põe música no coração? São já 7:02 e veja-se o que até agora do meu coração saiu! Tudo o que escrevo é sentido; se não sinto, não escrevo. Calcule-se, pois, o que eu senti durante hora e meia!
Agora reparo: estou resmungando contra o Senhor que me não fez ainda chegar à Terra Prometida, que me retém neste Deserto tempos sem fim. Então leio de novo e ouço: “Ele é o nosso Deus; nós, o povo do Seu pasto, e ovelhas por Ele conduzidas”! Se estou, pois, a ser conduzido por Ele, se estou nas pastagens a que Ele me trouxe, porque me queixo? Não tenho recebido, em abundância, o maná que gratuitamente me desce todos os dias do Céu? Que tenho eu que protestar, se “O Senhor é um Deus grande, Rei poderoso, maior que todos os deuses” se nada há que Ele não conheça e comande, se “em Suas Mãos estão as profundezas da terra e os cimos das montanhas Lhe pertencem”, se “d’Ele é o mar; foi Ele quem o criou e a terra firme é obra das Suas mãos”, se o fundo e o cimo, o perto e o longe, tudo Lhe pertence? Como posso pensar, eu, mísera criatura, que o meu Pastor me não está dando o melhor pasto que para a minha alma neste momento se pode encontrar sobre a terra? Que melhor quero eu no Deserto, se não há outro caminho, se a Terra que o Senhor me prometeu fica para lá do Deserto, se é, portanto, pelo Deserto que é preciso caminhar? Que mais pode fazer por mim o meu Deus que o não tenha feito? Cuidado!: “Não torneis duros os vossos corações como em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”! – assim fala a Voz do meu Senhor.
São 7:33.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
449 — Por isso nos ardia o coração
– 15:44
Este repetido 4 diz-me que escreva, que escreva sempre. Que continue contando a história do nosso Deserto e do Invisível Espírito. É estranho: vejo o mundo todo, mesmo todo árido, seco, mirrado, morto. Tudo reduzido a barro amarelado esboroando-se e as elevações na paisagem calvas, lívidas e mudas como espectros. Procuro nos mais fundos vales vestígios de algum rio, um magrinho fio de água que seja, e só vejo lama ressequida, gretada. Um brilho de zinco no espaço. Um sol queimando muito, sempre mais. Um silêncio só entrecortado, aqui e além, por estalidos secos, de novas fendas abrindo-se.
É por esta paisagem que eu caminho com o meu Jesus. Há-de haver outros que também assim com Ele caminham, mas nunca nos encontrámos todos juntos na mesma encruzilhada. A culpa disto é toda de Jesus: Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu não queria parar com a empreitada da minha destruição e da dos outros. Destruição? Olhei à minha volta e disse: Eu bem me queria parecer! E foi com um baque no coração que eu constatei: andamos todos a construir uma ruína! Olhei então para dentro de mim à procura de uma explicação e encontrei Jesus lá, bem vivo no coração. Começámos a conversar como amigos. Ele falou-me na possibilidade de fazer de novo jorrar rios caudalosos por estes vales e encher de florestas virgens estes outeiros. Falou-me em fontes jorrando das mais altas montanhas. Eu estava encantado, mas de repente caí em mim e perguntei-Lhe: E… e água? – A Água sou Eu – respondeu-me Ele sem pestanejar.
E não é que eu acreditei!?
A partir daí temos andado sempre juntos. Ele fala-me de coisas que eu nunca vi, umas curiosas, outras muito estranhas e outras mesmo impossíveis, mas eu acredito. Acredito sempre. Acredito não por Ele ser Deus, que isso eu já sabia; acredito por Ele ser assim tão meu Amigo, tão tu-cá-tu-lá, que isso eu não sabia e foi uma descoberta que me encantou e me prendeu para sempre. Por isso Lhe tenho anotado as palavras todas, que eu não quero perder pitada. É um Amigo que a gente ouve tão encantado, que quando dá conta está-Lhe aos pés, pasmado, como aqueles alunos antigos perante os mestres.
O que nos mostra é tudo invisível. Quase sempre contrário ao que pensávamos. Surpresa sempre. Mas tanta autoridade tem, tão certeiro é tudo o que diz, que vai provocando em nós uma reestruturação completa, a partir do âmago da alma. Então começamos a ver com o coração tudo quanto víamos com os olhos e com a razão: a paisagem é radicalmente outra e tudo o que era impossível passa a ser um Mundo Novo já avançando com fúria imparável, por baixo das areias do Deserto e dos rochedos das montanhas!
Esta Vaga de fundo, fresca e verde, avançando assim inexorável em direcção à superfície do Deserto sabemos que será chamada ESPÍRITO SANTO, O INVISÍVEL!
Então este nosso Irmão, que assim nos ensinou todas estas coisas havemos de O ver descer do Céu num trono, sobre uma nuvem. E só agora nos recordamos de que Ele é Deus e murmuramos: Por isso nos ardia o coração quando Ele nos falava!
Este repetido 4 diz-me que escreva, que escreva sempre. Que continue contando a história do nosso Deserto e do Invisível Espírito. É estranho: vejo o mundo todo, mesmo todo árido, seco, mirrado, morto. Tudo reduzido a barro amarelado esboroando-se e as elevações na paisagem calvas, lívidas e mudas como espectros. Procuro nos mais fundos vales vestígios de algum rio, um magrinho fio de água que seja, e só vejo lama ressequida, gretada. Um brilho de zinco no espaço. Um sol queimando muito, sempre mais. Um silêncio só entrecortado, aqui e além, por estalidos secos, de novas fendas abrindo-se.
É por esta paisagem que eu caminho com o meu Jesus. Há-de haver outros que também assim com Ele caminham, mas nunca nos encontrámos todos juntos na mesma encruzilhada. A culpa disto é toda de Jesus: Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu não queria parar com a empreitada da minha destruição e da dos outros. Destruição? Olhei à minha volta e disse: Eu bem me queria parecer! E foi com um baque no coração que eu constatei: andamos todos a construir uma ruína! Olhei então para dentro de mim à procura de uma explicação e encontrei Jesus lá, bem vivo no coração. Começámos a conversar como amigos. Ele falou-me na possibilidade de fazer de novo jorrar rios caudalosos por estes vales e encher de florestas virgens estes outeiros. Falou-me em fontes jorrando das mais altas montanhas. Eu estava encantado, mas de repente caí em mim e perguntei-Lhe: E… e água? – A Água sou Eu – respondeu-me Ele sem pestanejar.
E não é que eu acreditei!?
A partir daí temos andado sempre juntos. Ele fala-me de coisas que eu nunca vi, umas curiosas, outras muito estranhas e outras mesmo impossíveis, mas eu acredito. Acredito sempre. Acredito não por Ele ser Deus, que isso eu já sabia; acredito por Ele ser assim tão meu Amigo, tão tu-cá-tu-lá, que isso eu não sabia e foi uma descoberta que me encantou e me prendeu para sempre. Por isso Lhe tenho anotado as palavras todas, que eu não quero perder pitada. É um Amigo que a gente ouve tão encantado, que quando dá conta está-Lhe aos pés, pasmado, como aqueles alunos antigos perante os mestres.
O que nos mostra é tudo invisível. Quase sempre contrário ao que pensávamos. Surpresa sempre. Mas tanta autoridade tem, tão certeiro é tudo o que diz, que vai provocando em nós uma reestruturação completa, a partir do âmago da alma. Então começamos a ver com o coração tudo quanto víamos com os olhos e com a razão: a paisagem é radicalmente outra e tudo o que era impossível passa a ser um Mundo Novo já avançando com fúria imparável, por baixo das areias do Deserto e dos rochedos das montanhas!
Esta Vaga de fundo, fresca e verde, avançando assim inexorável em direcção à superfície do Deserto sabemos que será chamada ESPÍRITO SANTO, O INVISÍVEL!
Então este nosso Irmão, que assim nos ensinou todas estas coisas havemos de O ver descer do Céu num trono, sobre uma nuvem. E só agora nos recordamos de que Ele é Deus e murmuramos: Por isso nos ardia o coração quando Ele nos falava!
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