– 10:08
O 8, embora signifique, para mim, uma realidade complexa, sempre que aparece remete-me para a Mãe de Deus, como Protótipo de criatura redimida. Mas há uns dias largos que Ela me não ocupa o coração com o Seu encanto. Ainda hoje de madrugada me lembrei d’Ela e pedi-Lhe, como sempre faço desde o encontro com a Vassula, que tome conta da minha família. Mas foi de fugida que falei com Ela. Com total confiança, como sempre desde que A conheci, mas de coração árido, em estado de Deserto. Conversar com Ela longamente, de coração encantado, como já me aconteceu, isso há tempos que não acontece.
Mas diz-me a Mensagem de hoje que devo ficar tranquilo: que receba como o melhor dos alimentos o maná que em cada momento o Senhor me der. Que não force e espere. Afinal o abandono completo nas Mãos do Senhor não aconteceu ainda em mim. Ontem, na minha oração, agradeci-Lhe em primeiro lugar logo o Deserto. Hoje o Senhor veio dizer-me que não basta saber que o Deserto é um enorme Dom Seu; é preciso senti-lo como Dom. É preciso que também com este Dom a alma exulte no Senhor e aclame o rochedo da sua salvação. Não basta agradecer-Lhe a saída do Egipto; é preciso agradecer-Lhe do mesmo modo todo o tempo de Deserto, todo o caminho que for preciso andar, todo o tempo que for preciso parar, até que venha o tempo oportuno para a entrada decisiva na Terra da Sua Promessa. É preciso confiar inteiramente no Senhor como “um Deus grande, Rei poderoso maior que todos os deuses”; é preciso abandonar-se totalmente à Sua Sabedoria e ao Seu poder; é preciso crer que Ele é o Amor! Importa não “provocar”, não “pôr à prova” nunca o nosso Deus, como fizeram os nosso pais “em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”, a ponto de O levarem a “jurar” na Sua “ira”: “Não entrarão no lugar do Meu repouso!”.
É admirável este Jesus!: o Salmo 95, que na altura me pareceu despropositado, sem relação nenhuma com a minha situação do momento, provocador até, relativamente à frieza do meu coração, tornou-se autêntico maná neste meu Deserto! É nitidamente a continuação e o aprofundamento da aula de ontem. Este Mestre é de tal ordem, que não Lhe encontro a mais pequenina imperfeição a dar aulas. Sucede até que, justamente aquilo que parece mais estranho, vira a mais surpreendente descoberta, a mais evidente Verdade!
Por isso, porque tanto gosto de estar nestas aulas, nem me apetece ir à Missa! Mas, se for Vontade d’Ele que eu vá, também a Missa se tornará Surpresa pura!
Sinto que devo ir
– 20:16
Fui hoje de tarde dar um passeio de bicicleta, a ver as obras da Ponte do Freixo e respectivos acessos. Senti que Jesus quis que fosse e para lá me guiou. Eu dizia: Vê, Mestre, que grandiosas construções! E Ele respondia-me: Em verdade te digo: não ficará pedra sobre pedra!
quarta-feira, 22 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
450 — Um salmo exaltante para um coração abatido
16/7/95 – 5:35
Sl 95 (94)
Foi outra vez a falta de assunto que me levou à oração: o Senhor tem, na verdade, engenhosos processos de manifestar o Seu Querer…
Li, mas o meu coração não canta este Salmo. E sei que vai cantá-lo quando o Espírito encharcar por completo as minhas células. Entretanto, que faço, com este vazio? Como o preencho, se não tenho assunto, nem oração para rezar? Leio de novo. Eu acredito no meu Jesus. Eu acredito no Espírito Consolador irrompendo no meu ser. É Ele que reza em nós. Se não for Ele, não há oração. Este Salmo é um apelo a que nos juntemos todos e “exultemos no Senhor, aclamemos o rochedo da nossa salvação”. Não é sequer para se rezar na intimidade de uma cela, mas na praça pública, mais até do que no templo. É o cântico de alguém inflamado que chama muitos outros, todo o povo para ir à presença do Senhor “com hinos de louvor”, para O saudar “com salmos jubilosos”. É clima de festa, de exaltação.
E eu não estou aí. Ninguém que esteja como eu neste momento pode subir a um qualquer monumento no centro da praça e dizer “Vinde”! “Vamos”! “Vamos”! “Vinde”! Não consigo fazer mais nada senão análise textual! E Jesus não me quer fazendo isso: se me deu este Salmo, é para eu o cantar, não para o analisar. Este Salmo não tem nada que explicar, nem sequer é para entender: é para viver e cantar! Então, se mo deu para eu cantar, porque me não põe música no coração? São já 7:02 e veja-se o que até agora do meu coração saiu! Tudo o que escrevo é sentido; se não sinto, não escrevo. Calcule-se, pois, o que eu senti durante hora e meia!
Agora reparo: estou resmungando contra o Senhor que me não fez ainda chegar à Terra Prometida, que me retém neste Deserto tempos sem fim. Então leio de novo e ouço: “Ele é o nosso Deus; nós, o povo do Seu pasto, e ovelhas por Ele conduzidas”! Se estou, pois, a ser conduzido por Ele, se estou nas pastagens a que Ele me trouxe, porque me queixo? Não tenho recebido, em abundância, o maná que gratuitamente me desce todos os dias do Céu? Que tenho eu que protestar, se “O Senhor é um Deus grande, Rei poderoso, maior que todos os deuses” se nada há que Ele não conheça e comande, se “em Suas Mãos estão as profundezas da terra e os cimos das montanhas Lhe pertencem”, se “d’Ele é o mar; foi Ele quem o criou e a terra firme é obra das Suas mãos”, se o fundo e o cimo, o perto e o longe, tudo Lhe pertence? Como posso pensar, eu, mísera criatura, que o meu Pastor me não está dando o melhor pasto que para a minha alma neste momento se pode encontrar sobre a terra? Que melhor quero eu no Deserto, se não há outro caminho, se a Terra que o Senhor me prometeu fica para lá do Deserto, se é, portanto, pelo Deserto que é preciso caminhar? Que mais pode fazer por mim o meu Deus que o não tenha feito? Cuidado!: “Não torneis duros os vossos corações como em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”! – assim fala a Voz do meu Senhor.
São 7:33.
Sl 95 (94)
Foi outra vez a falta de assunto que me levou à oração: o Senhor tem, na verdade, engenhosos processos de manifestar o Seu Querer…
Li, mas o meu coração não canta este Salmo. E sei que vai cantá-lo quando o Espírito encharcar por completo as minhas células. Entretanto, que faço, com este vazio? Como o preencho, se não tenho assunto, nem oração para rezar? Leio de novo. Eu acredito no meu Jesus. Eu acredito no Espírito Consolador irrompendo no meu ser. É Ele que reza em nós. Se não for Ele, não há oração. Este Salmo é um apelo a que nos juntemos todos e “exultemos no Senhor, aclamemos o rochedo da nossa salvação”. Não é sequer para se rezar na intimidade de uma cela, mas na praça pública, mais até do que no templo. É o cântico de alguém inflamado que chama muitos outros, todo o povo para ir à presença do Senhor “com hinos de louvor”, para O saudar “com salmos jubilosos”. É clima de festa, de exaltação.
E eu não estou aí. Ninguém que esteja como eu neste momento pode subir a um qualquer monumento no centro da praça e dizer “Vinde”! “Vamos”! “Vamos”! “Vinde”! Não consigo fazer mais nada senão análise textual! E Jesus não me quer fazendo isso: se me deu este Salmo, é para eu o cantar, não para o analisar. Este Salmo não tem nada que explicar, nem sequer é para entender: é para viver e cantar! Então, se mo deu para eu cantar, porque me não põe música no coração? São já 7:02 e veja-se o que até agora do meu coração saiu! Tudo o que escrevo é sentido; se não sinto, não escrevo. Calcule-se, pois, o que eu senti durante hora e meia!
Agora reparo: estou resmungando contra o Senhor que me não fez ainda chegar à Terra Prometida, que me retém neste Deserto tempos sem fim. Então leio de novo e ouço: “Ele é o nosso Deus; nós, o povo do Seu pasto, e ovelhas por Ele conduzidas”! Se estou, pois, a ser conduzido por Ele, se estou nas pastagens a que Ele me trouxe, porque me queixo? Não tenho recebido, em abundância, o maná que gratuitamente me desce todos os dias do Céu? Que tenho eu que protestar, se “O Senhor é um Deus grande, Rei poderoso, maior que todos os deuses” se nada há que Ele não conheça e comande, se “em Suas Mãos estão as profundezas da terra e os cimos das montanhas Lhe pertencem”, se “d’Ele é o mar; foi Ele quem o criou e a terra firme é obra das Suas mãos”, se o fundo e o cimo, o perto e o longe, tudo Lhe pertence? Como posso pensar, eu, mísera criatura, que o meu Pastor me não está dando o melhor pasto que para a minha alma neste momento se pode encontrar sobre a terra? Que melhor quero eu no Deserto, se não há outro caminho, se a Terra que o Senhor me prometeu fica para lá do Deserto, se é, portanto, pelo Deserto que é preciso caminhar? Que mais pode fazer por mim o meu Deus que o não tenha feito? Cuidado!: “Não torneis duros os vossos corações como em Meriba, como no dia de Massa, no deserto”! – assim fala a Voz do meu Senhor.
São 7:33.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
449 — Por isso nos ardia o coração
– 15:44
Este repetido 4 diz-me que escreva, que escreva sempre. Que continue contando a história do nosso Deserto e do Invisível Espírito. É estranho: vejo o mundo todo, mesmo todo árido, seco, mirrado, morto. Tudo reduzido a barro amarelado esboroando-se e as elevações na paisagem calvas, lívidas e mudas como espectros. Procuro nos mais fundos vales vestígios de algum rio, um magrinho fio de água que seja, e só vejo lama ressequida, gretada. Um brilho de zinco no espaço. Um sol queimando muito, sempre mais. Um silêncio só entrecortado, aqui e além, por estalidos secos, de novas fendas abrindo-se.
É por esta paisagem que eu caminho com o meu Jesus. Há-de haver outros que também assim com Ele caminham, mas nunca nos encontrámos todos juntos na mesma encruzilhada. A culpa disto é toda de Jesus: Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu não queria parar com a empreitada da minha destruição e da dos outros. Destruição? Olhei à minha volta e disse: Eu bem me queria parecer! E foi com um baque no coração que eu constatei: andamos todos a construir uma ruína! Olhei então para dentro de mim à procura de uma explicação e encontrei Jesus lá, bem vivo no coração. Começámos a conversar como amigos. Ele falou-me na possibilidade de fazer de novo jorrar rios caudalosos por estes vales e encher de florestas virgens estes outeiros. Falou-me em fontes jorrando das mais altas montanhas. Eu estava encantado, mas de repente caí em mim e perguntei-Lhe: E… e água? – A Água sou Eu – respondeu-me Ele sem pestanejar.
E não é que eu acreditei!?
A partir daí temos andado sempre juntos. Ele fala-me de coisas que eu nunca vi, umas curiosas, outras muito estranhas e outras mesmo impossíveis, mas eu acredito. Acredito sempre. Acredito não por Ele ser Deus, que isso eu já sabia; acredito por Ele ser assim tão meu Amigo, tão tu-cá-tu-lá, que isso eu não sabia e foi uma descoberta que me encantou e me prendeu para sempre. Por isso Lhe tenho anotado as palavras todas, que eu não quero perder pitada. É um Amigo que a gente ouve tão encantado, que quando dá conta está-Lhe aos pés, pasmado, como aqueles alunos antigos perante os mestres.
O que nos mostra é tudo invisível. Quase sempre contrário ao que pensávamos. Surpresa sempre. Mas tanta autoridade tem, tão certeiro é tudo o que diz, que vai provocando em nós uma reestruturação completa, a partir do âmago da alma. Então começamos a ver com o coração tudo quanto víamos com os olhos e com a razão: a paisagem é radicalmente outra e tudo o que era impossível passa a ser um Mundo Novo já avançando com fúria imparável, por baixo das areias do Deserto e dos rochedos das montanhas!
Esta Vaga de fundo, fresca e verde, avançando assim inexorável em direcção à superfície do Deserto sabemos que será chamada ESPÍRITO SANTO, O INVISÍVEL!
Então este nosso Irmão, que assim nos ensinou todas estas coisas havemos de O ver descer do Céu num trono, sobre uma nuvem. E só agora nos recordamos de que Ele é Deus e murmuramos: Por isso nos ardia o coração quando Ele nos falava!
Este repetido 4 diz-me que escreva, que escreva sempre. Que continue contando a história do nosso Deserto e do Invisível Espírito. É estranho: vejo o mundo todo, mesmo todo árido, seco, mirrado, morto. Tudo reduzido a barro amarelado esboroando-se e as elevações na paisagem calvas, lívidas e mudas como espectros. Procuro nos mais fundos vales vestígios de algum rio, um magrinho fio de água que seja, e só vejo lama ressequida, gretada. Um brilho de zinco no espaço. Um sol queimando muito, sempre mais. Um silêncio só entrecortado, aqui e além, por estalidos secos, de novas fendas abrindo-se.
É por esta paisagem que eu caminho com o meu Jesus. Há-de haver outros que também assim com Ele caminham, mas nunca nos encontrámos todos juntos na mesma encruzilhada. A culpa disto é toda de Jesus: Ele veio ter comigo, perguntou-me se eu não queria parar com a empreitada da minha destruição e da dos outros. Destruição? Olhei à minha volta e disse: Eu bem me queria parecer! E foi com um baque no coração que eu constatei: andamos todos a construir uma ruína! Olhei então para dentro de mim à procura de uma explicação e encontrei Jesus lá, bem vivo no coração. Começámos a conversar como amigos. Ele falou-me na possibilidade de fazer de novo jorrar rios caudalosos por estes vales e encher de florestas virgens estes outeiros. Falou-me em fontes jorrando das mais altas montanhas. Eu estava encantado, mas de repente caí em mim e perguntei-Lhe: E… e água? – A Água sou Eu – respondeu-me Ele sem pestanejar.
E não é que eu acreditei!?
A partir daí temos andado sempre juntos. Ele fala-me de coisas que eu nunca vi, umas curiosas, outras muito estranhas e outras mesmo impossíveis, mas eu acredito. Acredito sempre. Acredito não por Ele ser Deus, que isso eu já sabia; acredito por Ele ser assim tão meu Amigo, tão tu-cá-tu-lá, que isso eu não sabia e foi uma descoberta que me encantou e me prendeu para sempre. Por isso Lhe tenho anotado as palavras todas, que eu não quero perder pitada. É um Amigo que a gente ouve tão encantado, que quando dá conta está-Lhe aos pés, pasmado, como aqueles alunos antigos perante os mestres.
O que nos mostra é tudo invisível. Quase sempre contrário ao que pensávamos. Surpresa sempre. Mas tanta autoridade tem, tão certeiro é tudo o que diz, que vai provocando em nós uma reestruturação completa, a partir do âmago da alma. Então começamos a ver com o coração tudo quanto víamos com os olhos e com a razão: a paisagem é radicalmente outra e tudo o que era impossível passa a ser um Mundo Novo já avançando com fúria imparável, por baixo das areias do Deserto e dos rochedos das montanhas!
Esta Vaga de fundo, fresca e verde, avançando assim inexorável em direcção à superfície do Deserto sabemos que será chamada ESPÍRITO SANTO, O INVISÍVEL!
Então este nosso Irmão, que assim nos ensinou todas estas coisas havemos de O ver descer do Céu num trono, sobre uma nuvem. E só agora nos recordamos de que Ele é Deus e murmuramos: Por isso nos ardia o coração quando Ele nos falava!
domingo, 19 de junho de 2011
448 — Abandonar-se custa muito; sentimo-nos perdidos
– 10:03
Mais uma vez se me realça nos algarismos a Transcendência. E hoje, em especial, o Invisível Espírito. Vejam-se os algarismos do início da vigília: eles acentuam a minha qualidade de testemunha daquela Realidade transcendente e invisível!
O mundo invisível! O mundo para além da realidade física – metafísico, como dizem os nossos sábios! Eu costumo dizer aos meus alunos que aquilo que eu deles vejo com os olhos é secundaríssimo: eles são, essencialmente, invisíveis. Normalmente ficam de expressão parada, tensa, uns momentos. Creio que acreditam, mas não sei com que fogo. Não sei se esta fé juvenil lhes irá inverter o processo de fixação no mundo visível a que os vejo agarrar-se com unhas e dentes. Se nem na minha própria casa consigo ver outra coisa que não seja uma sôfrega exploração do mundo físico! Se nem eu, que isto prego, consigo evitar as desordenadas solicitações e impulsos da carne!
O Pecado atingiu e atinge em nós essencialmente o mundo invisível, esse que faz a nossa específica identidade, aquele que nos distingue de todos os outros seres. Ficámos dependentes do barro, porque o Sopro da Vida foi n’Aquele Dia ferido de morte. E, por via d’Ele, também o barro foi atingido: foi-se-lhe a força que o iluminava, vivificava e unia. Depois do pecado, o próprio barro ficou sujeito a esboroar-se ao primeiro abalo. Como barro só. E quantos montículos de barro não há aí na paisagem deste Deserto, esboroados, restos de figuras vivas com que Deus sonhou correndo loucas de felicidade por entre o Verde que deveria existir, onde agora são morros despidos e areias escaldantes!
Como se volta lá, ao Princípio, ao Sonho de Deus? É absurdo pensarmos que poderemos fazer alguma coisa nós só, nós-montículos de barro esboroado, espalhado pelo Deserto. Do Sonho de Deus só Deus sabe – diz a nossa lógica. Então, porque, ainda segundo a nossa lógica, para nada prestamos assim montículos esboroados secando mais e mais ao sol deste Deserto, deixemos Deus trabalhar. Ele, pelo facto de ser Deus, pode tudo, pode ressuscitar mortos, pode fazer de pedras filhos de Abraão. Então? Porque hesitamos? Que temos a perder? Já vimos que não há alternativa: a contar só com nós próprios, o Deserto fica mais deserto, o nosso corpo mirra, esboroa-se cada vez mais. A hipótese é deixar Deus agir. Para isso, o primeiro passo é parar. Parar literalmente com o trabalho de secagem e esboroamento que estávamos fazendo. O segundo passo – ainda segundo a nossa lógica! – é deixar-se literalmente manipular pelas Mãos de Deus!
Primeiro que eu entendesse isto!… É claro que este abandonar-se assim custa muito: é tudo ao contrário do que era, a gente não entende nada, sentimo-nos perdidos. Mais: sentimo-nos morrer. Só então, lentamente, se começam a tornar vivas em nós palavras que haviam ficado cristalizadas na nossa mente. Por exemplo esta: “Se o grão de trigo não morrer…”. Ou esta: “Não vos preocupeis com o que haveis de comer ou de vestir…”. Ou esta, do Salmo que o Senhor hoje utilizou para me moldar a capacidade de agradecer: “É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis”. Só agora começamos a ter a noção de onde nos encontrávamos e com crescente assombro nos perguntamos como foi possível termo-nos agarrado àquilo.
Mais uma vez se me realça nos algarismos a Transcendência. E hoje, em especial, o Invisível Espírito. Vejam-se os algarismos do início da vigília: eles acentuam a minha qualidade de testemunha daquela Realidade transcendente e invisível!
O mundo invisível! O mundo para além da realidade física – metafísico, como dizem os nossos sábios! Eu costumo dizer aos meus alunos que aquilo que eu deles vejo com os olhos é secundaríssimo: eles são, essencialmente, invisíveis. Normalmente ficam de expressão parada, tensa, uns momentos. Creio que acreditam, mas não sei com que fogo. Não sei se esta fé juvenil lhes irá inverter o processo de fixação no mundo visível a que os vejo agarrar-se com unhas e dentes. Se nem na minha própria casa consigo ver outra coisa que não seja uma sôfrega exploração do mundo físico! Se nem eu, que isto prego, consigo evitar as desordenadas solicitações e impulsos da carne!
O Pecado atingiu e atinge em nós essencialmente o mundo invisível, esse que faz a nossa específica identidade, aquele que nos distingue de todos os outros seres. Ficámos dependentes do barro, porque o Sopro da Vida foi n’Aquele Dia ferido de morte. E, por via d’Ele, também o barro foi atingido: foi-se-lhe a força que o iluminava, vivificava e unia. Depois do pecado, o próprio barro ficou sujeito a esboroar-se ao primeiro abalo. Como barro só. E quantos montículos de barro não há aí na paisagem deste Deserto, esboroados, restos de figuras vivas com que Deus sonhou correndo loucas de felicidade por entre o Verde que deveria existir, onde agora são morros despidos e areias escaldantes!
Como se volta lá, ao Princípio, ao Sonho de Deus? É absurdo pensarmos que poderemos fazer alguma coisa nós só, nós-montículos de barro esboroado, espalhado pelo Deserto. Do Sonho de Deus só Deus sabe – diz a nossa lógica. Então, porque, ainda segundo a nossa lógica, para nada prestamos assim montículos esboroados secando mais e mais ao sol deste Deserto, deixemos Deus trabalhar. Ele, pelo facto de ser Deus, pode tudo, pode ressuscitar mortos, pode fazer de pedras filhos de Abraão. Então? Porque hesitamos? Que temos a perder? Já vimos que não há alternativa: a contar só com nós próprios, o Deserto fica mais deserto, o nosso corpo mirra, esboroa-se cada vez mais. A hipótese é deixar Deus agir. Para isso, o primeiro passo é parar. Parar literalmente com o trabalho de secagem e esboroamento que estávamos fazendo. O segundo passo – ainda segundo a nossa lógica! – é deixar-se literalmente manipular pelas Mãos de Deus!
Primeiro que eu entendesse isto!… É claro que este abandonar-se assim custa muito: é tudo ao contrário do que era, a gente não entende nada, sentimo-nos perdidos. Mais: sentimo-nos morrer. Só então, lentamente, se começam a tornar vivas em nós palavras que haviam ficado cristalizadas na nossa mente. Por exemplo esta: “Se o grão de trigo não morrer…”. Ou esta: “Não vos preocupeis com o que haveis de comer ou de vestir…”. Ou esta, do Salmo que o Senhor hoje utilizou para me moldar a capacidade de agradecer: “É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis”. Só agora começamos a ter a noção de onde nos encontrávamos e com crescente assombro nos perguntamos como foi possível termo-nos agarrado àquilo.
sábado, 18 de junho de 2011
447 — Querido Mestre, estou muito feliz Contigo
15/7/95 – 3:02
Andei alguns minutos à espera de assunto, sem o encontrar. Mas uma vigília não é para rezar? – interrogo-me. E concluo: o que eu tenho que fazer é rezar. Mas como, se está seco o meu coração? Foi então que me lembrei de rezar com a própria Palavra de Deus e logo ao coração me veio:
Sl 116 (114-115)
Pronto, já li. É um Salmo de acção de graças, exactamente aquilo que eu estava para fazer, mas nada me saía, por causa da absoluta aridez do meu coração. Não consegui cantar este Salmo, como o Senhor ontem me ensinou. Nada vibra em mim, apesar de aquela oração exprimir o meu estado de alma: “Eu sou um débil, Ele há-de salvar-me”… “Que darei eu ao Senhor, por todos os seus benefícios?”.
Só se for esta frieza. De resto, nada mais tenho para Lhe dar. É deveras impressionante, hoje, a aridez da minha alma: entre cada frase que escrevo há dois, três, cinco minutos de total vazio dentro de mim. Puxo pela cabeça até ela ficar dorida, mas era o coração que deveria ser carne viva palpitando de gratidão. Porque ah, isso sim, como eu desejava que todas as fibras do meu ser vibrassem de agradecimento!… O que o Senhor me fez até agora deveria levar-me a passar dias seguidos e inteiros apenas a agradecer-Lhe! E porque não começo já, assim mesmo, como estou?
– Jesus, meu querido Mestre, estou muito feliz Contigo por tudo o que me tens dado. Pela aridez, pela frieza, pelo Deserto. Por este Deserto de maneira muito especial: aqui me fizeste penetrar no Teu Mistério e me revelaste as riquezas do Teu inesgotável Coração. Bem hajas pela Solidão que tanto me aproximou de Ti. Bem hajas por Ti: conhecer-Te é todo o tesouro da minha vida. Tu ensinaste-me a força explosiva do Sofrimento e também que é ele que faz nascer a Ternura. Tu deste-me a Fé como prenda de anos, como prenda maior da minha vida: ela sempre me levanta depois de cada queda e me faz ultrapassar toda a montanha e todo o barranco do vale. Só por ela eu sei que me deste o dom da cura, o dom das línguas, o dom da profecia, me fizeste Abraão, Jacob, Moisés, Elias, David, Salomão, Papa! Tu não tens feito outra coisa senão dar-me Coisas, meu querido Jesus. Diz ao Pai que estou muito feliz por Ele me ter criado e diz ao Teu Espírito que não Lhe conseguirei nunca transmitir o Encanto que me inunda o coração no Silêncio em que Ele é tudo em mim. Diz-Lhe que eu gosto muito d’Ele por ser Espírito e morar em todas as minhas células e em todos os átomos do Universo e não se ver! Deixa-me dar-Te um abraço, Jesus, porque Tu és o Mestre mais espectacular que eu conheci, de tal maneira que desprezei todos os outros mestres e só às Tuas aulas quero assistir. Bem hajas por ainda me não teres dado a Terra Prometida. Bem hajas por me não teres dado ainda o Amor. Bem hajas por estares a fazer em mim a Tua Vontade. Bem hajas pelo divórcio e pelo Z. D. e pela família que me deste. Bem hajas pelos Teus insondáveis Desígnios. Bem hajas porque és Surpresa pura. Amen!
São 4:55.
Andei alguns minutos à espera de assunto, sem o encontrar. Mas uma vigília não é para rezar? – interrogo-me. E concluo: o que eu tenho que fazer é rezar. Mas como, se está seco o meu coração? Foi então que me lembrei de rezar com a própria Palavra de Deus e logo ao coração me veio:
Sl 116 (114-115)
Pronto, já li. É um Salmo de acção de graças, exactamente aquilo que eu estava para fazer, mas nada me saía, por causa da absoluta aridez do meu coração. Não consegui cantar este Salmo, como o Senhor ontem me ensinou. Nada vibra em mim, apesar de aquela oração exprimir o meu estado de alma: “Eu sou um débil, Ele há-de salvar-me”… “Que darei eu ao Senhor, por todos os seus benefícios?”.
Só se for esta frieza. De resto, nada mais tenho para Lhe dar. É deveras impressionante, hoje, a aridez da minha alma: entre cada frase que escrevo há dois, três, cinco minutos de total vazio dentro de mim. Puxo pela cabeça até ela ficar dorida, mas era o coração que deveria ser carne viva palpitando de gratidão. Porque ah, isso sim, como eu desejava que todas as fibras do meu ser vibrassem de agradecimento!… O que o Senhor me fez até agora deveria levar-me a passar dias seguidos e inteiros apenas a agradecer-Lhe! E porque não começo já, assim mesmo, como estou?
– Jesus, meu querido Mestre, estou muito feliz Contigo por tudo o que me tens dado. Pela aridez, pela frieza, pelo Deserto. Por este Deserto de maneira muito especial: aqui me fizeste penetrar no Teu Mistério e me revelaste as riquezas do Teu inesgotável Coração. Bem hajas pela Solidão que tanto me aproximou de Ti. Bem hajas por Ti: conhecer-Te é todo o tesouro da minha vida. Tu ensinaste-me a força explosiva do Sofrimento e também que é ele que faz nascer a Ternura. Tu deste-me a Fé como prenda de anos, como prenda maior da minha vida: ela sempre me levanta depois de cada queda e me faz ultrapassar toda a montanha e todo o barranco do vale. Só por ela eu sei que me deste o dom da cura, o dom das línguas, o dom da profecia, me fizeste Abraão, Jacob, Moisés, Elias, David, Salomão, Papa! Tu não tens feito outra coisa senão dar-me Coisas, meu querido Jesus. Diz ao Pai que estou muito feliz por Ele me ter criado e diz ao Teu Espírito que não Lhe conseguirei nunca transmitir o Encanto que me inunda o coração no Silêncio em que Ele é tudo em mim. Diz-Lhe que eu gosto muito d’Ele por ser Espírito e morar em todas as minhas células e em todos os átomos do Universo e não se ver! Deixa-me dar-Te um abraço, Jesus, porque Tu és o Mestre mais espectacular que eu conheci, de tal maneira que desprezei todos os outros mestres e só às Tuas aulas quero assistir. Bem hajas por ainda me não teres dado a Terra Prometida. Bem hajas por me não teres dado ainda o Amor. Bem hajas por estares a fazer em mim a Tua Vontade. Bem hajas pelo divórcio e pelo Z. D. e pela família que me deste. Bem hajas pelos Teus insondáveis Desígnios. Bem hajas porque és Surpresa pura. Amen!
São 4:55.
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